Edson MazzettoDanosMoradores contemplam destroços do furacão que teve ventos de até 120 km por hora: ‘‘Melhor morrer que ver de novo’’, disse uma mulherAqueles três minutos do dia 13 - por sinal, uma sexta-feira - serão eternos para os moradores de Nova Laranjeiras, no Centro-Oeste do Paraná. Não há como esquecer o vento que rugia e os estrondos de casas sendo arrancadas e esmigalhadas pelo furacão.
Aqueles três minutos deixaram um trauma indelével nas pessoas que viveram esta experiência - ou melhor, sobreviveram à ela. Todos lamentam e poucos entendem como um fenômeno tão violento não fez mais vítimas fatais.
Os dramas individuais se sobrepõem aos números da devastação. Na cidade, cerca de 320 casas destruídas e 220 atingidas parcialmente, postes e fiação de energia e telefone quebrados e retorcidos, automóveis e pesados caminhões virados.
No interior, destruição parcial ou total em edificações de cerca de 150 propriedades, lavouras arruinadas e grande número de animais mortos.
O sentimento das pessoas mescla emoção e pavor. Marli Santos Boeira, 23 anos, talvez resuma tudo: ‘‘Melhor morrer que ver de novo’’. Ela viu ‘‘o mundo acabando’’, e ficou tão preocupada com as duas filhas, que não estavam por perto, quanto com os demais moradores. ‘‘É duro a gente ficar impotente e nada poder fazer, pensando que tem gente morrendo’’, relembra.
Assim como Marli, os demais moradores da pequena cidade tiveram o conforto de saber que o número de feridos ‘‘limitou-se’’ a pouco mais de 40 com alguma gravidade e outros 50 com ferimentos leves.
‘‘As três vítimas fatais são lamentadas, mas a gente não tem como deixar de agradecer a Deus, pois o povo todo podia ter morrido’’, diz o prefeito de Nova Laranjeiras, José Lineu Gomes.
Aos 42 anos, dois filhos, morador na localidade há 27 anos, Gomes tinha uma casa de 130 metros quadrados de área principal, sólida e de construção recente. Sobraram apenas algumas paredes, e sua família passou a morar na casa de sua mãe, a 30 quilômetros da cidade. O mesmo ocorreu com outras pessoas, que buscaram socorro em casas de parentes
Embora procurando demonstrar serenidade, ‘‘exigida’’ de homens públicos em momentos de grande atribulação social, José Lineu Gomes chorou várias vezes, disfarçada ou abertamente, nos últimos dias, assim como a maioria da população.
Afinal, o drama individual de cada uma das famílias ou pessoas foi assumido coletivamente, porque todos se conhecem.

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