O funileiro Vilmar Alves, 37 anos, de Maringá, procurou ontem uma rádio local para pôr seu rim à venda. Desesperado com o acúmulo de dívidas feitas no período em que esteve desempregado e por causa da doença de uma das filhas, Alves optou pela venda do órgão para ‘‘salvar a família’’.
As contas atrasadas de aluguel, água, luz, farmácia, mercado e em uma financiadora, somam R$ 1.853,00. Para o funileiro, o rim poderia ser vendido pelo mesmo valor das dívidas. ‘‘Um médico ficou sabendo da nossa intenção e disse para não fazermos isso porque sem o rim o meu marido poderia ficar debilitado e aí gastar muito mais’’, contou a mulher de Alves, a dona de casa Aparecida de Lourdes Soloviofe, 33 anos. A família tem cinco filhos – dois são do primeiro casamento de Aparecida.
Alves veio de Mato Grosso há sete meses. Ele disse que se mudou na busca de emprego e de melhores condições de sustento da família. Segundo Alves, foram quase seis meses de peregrinação pelas oficinas da cidade até conquistar uma vaga em uma funilaria para ganhar cerca de R$ 500,00 mensais.
Aparecida contou que a situação começou a piorar por causa de problemas de saúde com a filha de 14 anos que tem hemorragia menstrual há dois meses seguidos. ‘‘Gastamos muito com médico e farmácia. Além disso, meu filho caçula ficou com bronquite e até agora a minha filha não melhorou’’, justificou a dona de casa.
A situação da família comoveu o radialista Benedito Cláudio de Oliveira, o ‘‘Pinga Fogo’’. Através de seu programa na rádio e na TV, ele havia conseguido ontem mais de R$ 1,4 mil. Por causa disso, o funileiro disse que poderia desistir da venda do rim e renegociar as dívidas da família.

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