O funileiro Gilson Veiga dos Santos, de 27 anos, que atropelou seis crianças anteontem à tarde, em um bairro de Guarapuava, região central do Paraná poderá ser enquadrado por ‘‘dolo eventual’’
De acordo com testemunhas, Santos estava em alta velocidade, perdeu o controle do carro numa curva e atingiu as crianças, que brincavam num barranco ao lado da estrada. O funileiro não tem carteira de habilitação. Quatro crianças permaneciam internadas ontem nos hospitais São Vicente de Paulo e Santa Tereza, duas em estado grave.
Os casos mais delicados são dos irmãos Everton, de 6 anos, e Ezequiel Cavalheiro, de 10 anos. Segundo boletim assinado pelo neurocirurgião Riade Hosni, Everton teve fratura na cabeça e perda de grande quantidade de massa cerebral. Ontem ele mantinha-se ativo, obedecendo às solicitações, e movimentava todos os membros. Ezequiel teve edema cerebral e apresentava momentos de lucidez.
O delegado-adjunto de Guarapuava, Sidnei Martins, aguarda para amanhã o laudo sobre o teor alcoólico do funileiro. Santos disse ao delegado ter tomado dois copos de vinho cerca de três horas antes do atropelamento. Ele afirmou não se lembrar da velocidade do carro, mas garantiu que estava a menos de 100 quilômetros por hora. ‘‘Espero que as crianças se recuperem e que possa me safar dessa’’, disse. Segundo ele, o acidente aconteceu porque um dos pneus do carro estourou.
O delegado acredita que poderá enquadrar o crime como dolo eventual. O funileiro foi preso em flagrante. ‘‘A maneira como conduzia o veículo, segundo as testemunhas, leva a crer que provocou aquela situação’’, disse. Martins ainda não sabe de quem é a caminhonete F-1000 que Santos dirigia.

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