Funileiro desmente versão da PM
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de outubro de 1998
Agência Estado 
O funileiro Sidney Vieira Lima, de 37 anos, desmentiu sábado, em depoimento à Polícia Civil, a versão da Polícia Militar para a morte de sua mulher, Maria Cristina Gomes Rangel, de 40 anos, grávida de 9 meses, e de seu filho, Felipe, de 4, baleados na madrugada de anteontem, em Fazenda Botafogo, na zona norte, durante uma operação policial. Ele afirmou que não viu nenhum táxi ser perseguido pelo carro da PM, de onde teriam saído os tiros que atingiram o seu Passat, onde estava sua família.
A versão do Del Rey é do sargento Joel Evaristo da Silva e do cabo Edilson Pires de Vasconcelos, recolhidos no 9º Batalhão da PM. No sábado, o delegado Otílio Bezerra, que apura o caso, foi ao bairro onde ocorreu o crime tentar achar uma testemunha.
O funileiro continuava internado no Hospital Getúlio Vargas, para onde foi levado com ferimentos de bala no pescoço e no maxilar, na coxa e no ombro. Lima passa bem, mas tem dificuldade para falar.
Mais de cem pessoas, entre parentes e amigos, acompanharam, sábado de manhã, o enterro de Maria Cristina, de Felipe e do bebê. A outra filha do casal, Érica, de 6 anos, foi a única a escapar sem ferimentos. Ela está na casa de uma tia e ainda não sabe da tragédia. O comandante do 9º BPM, tenente-coronel Odilon Machado de Mello, informou que inicia nesta semana investigação interna da chacina.


