Funileiro confessa chacina em Castilho e culpa a sogra
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Castilho, SP, 13 (AE) - O funileiro José Cesar Alves, de 36 anos, assumiu a autoria do triplo homicídio de sua ex-mulher Alice Ventura de Assis, 32 anos, sua ex-sogra Lídia Carlota de Souza Assis, 57 anos, e o garoto de dez anos Jonas Heber de Assis, ocorrido na madrugada de domingo em Castilho, região noroeste do Estado de São Paulo.
Alves foi preso numa casa que alugou com amigos para festas noturnas, na cidade de Ilha Solteira. A localização do fugitivo aconteceu antes de se completarem doze horas do crime. Por causa disso, a ocorrência tramitará como flagrante delito, dificultando sua liberdade durante período de inquérito.
O delegado Tadeu Aparecido Coelho, da divisão de investigações gerais de Andradina, disse que Alves estava sozinho e não ofereceu qualquer resistência à voz de prisão. Ele justificou as mortes alegando que a culpa foi de sua ex-sogra, que incentivou sua mulher na decisão abandoná-lo. O delegado que preside o inquérito em Castilho, Paulo Cesar Ferreira, disse que a confissão do acusado não é tudo para incriminá-lo. A polícia já localizou o veículo usado na fuga, que possui marcas de sangue. Também está na delegacia a faca utilizada pelo agressor.
Mas o requinte de crueldade e o espírito premeditado do assassino dependerá do depoimento de um garoto de seis anos. Jonny Elder de Assis Silva viu a mãe, a avó e depois o irmão mais velho sendo esfaqueados. O delegado Ferreira pretendia ouvir o garoto hoje, mas preferiu dar tempo para que ele se restabeleça do choque.
A polícia técnica constatou que o menino degolado estava todo urinado. Esse detalhe pode sustentar a versão do criminoso, segundo a qual o irmão mais velho de Jonny foi o último a ser morto. A necessidade fisiológica foi incontida pelo pânico, relatou o delegado Ferreira.
A juíza da comarca de Andradina, Fernanda Galízia Noriega, disse que se comprovado equilíbrio emocional, o depoimento de garoto no inquérito terá toda validade jurídica cabível para uma testemunha de acusação. O menino Silva ficou sem casa para morar. O delegado Ferreira disse que por enquanto ele está morando com os avós de seu pai biológico, o garçon Silvio Ribeiro da Silva. O homem que matou sua família vivia com sua mãe havia cinco anos.
O autor da chacina está preso na cadeia de Mirandópolis, distante 40 quilômetros do local do crime. A polícia diz que é por medidas de segurança porque em Castilho a população está revoltada com a tragédia.


