Um medicamento mais poderoso no combate ao fungo que causa a paracoccidioidomicose (PCM), oitava causa de morte por doenças infecciosas parasitárias crônicas no Brasil. Esse é o objeto de estudo da dentista Berenice Tonoko Tatibana, em sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em parceria com o Research Center of Pathogenic Fungi and Microbiol Toxicoses, Chiba University, no Japão.
Autóctone na América Latina, a doença acomete principalmente moradores da zona rural. No Brasil, a incidência é maior nas regiões sul, sudeste e centro-oeste. O Paraná é o segundo Estado em número de óbitos em decorrência do mal. ''São 3,52 óbitos por milhão de habitantes por ano. Parece pouco, mas é significativo. O Paraná só perde para o Mato Grosso do Sul'', ressalta.
A transmissão acontece pela inalação do fungo paracoccidioides brasiliensis, que atinge primeiro o pulmão. Berenice explica que a evolução da doença é lenta, ela pode ficar latente por anos e só se manifestar até 30 anos após a inalação do fungo.
Neste caso é a forma crônica da doença, e os primeiros sinais, crises de tosse, cansaço e febre, podem passar despercebidos, antes que atinja outros órgãos e a glândula supra-renal. Já a forma aguda acomete principalmente jovens e a evolução é rápida, podendo haver comprometimento abdominal ou do aparelho digestivo.
A detecção da doença, explica, acontece normalmente na consulta com o dentista, já que ela também causa lesões na boca, gengiva e língua. O diagnóstico é fechado com exame micológico. Apesar de não ser contagiosa, alerta a dentista, a PCM pode causar óbito se não for tratada adequadamente. ''Mesmo em casos crônicos a doença pode matar, pois vão se formando sequelas fibrióticas nos órgãos, que debilitam o paciente. No pulmão, dificulta a respiração. No baço e rins, há problemas na metabolização'', ressalta.
A PCM não tem cura, mas pode ser controlada através de medicamentos, como o cetoconazol ou o itraconazol, antifúngicos ''clássicos''. A dificuldade é que como os tratamentos mais usados são longos, acabam causando desistência dos pacientes. E é aí que entra a pesquisa de Berenice. Ela está testando um antifúngico mais potente, com ação mais rápida - uma variação da anfotericina B.
A droga original é pouco usada por ser altamente tóxica e ter uso restrito em ambiente hospitalar. Já o medicamento modificado no Japão, onde se desenvolveu a nova formulação, é hidrossolúvel, pode ser administrado via oral e não causa efeito colateral nos rins, como o outro. Os testes estão sendo feitos em ratos e os resultados deverão estar disponíveis em dois anos.
A parceria com o Japão, explica a pesquisadora, se deve ao grande número de casos da doença registrados em dekasseguis. ''Lá, como eles não estavam acostumados, havia confusão no diagnóstico, e muitas vezes, a PCM era diagnosticada como câncer no pulmão'', explica.

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