Fundos de pensão tendem a aplicar em títulos pós-fixados
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Paulo Pinheiro 
São Paulo, 14 (AE) - A maioria dos gestores dos fundos de pensão, empresas que administram os recursos dos planos de aposentadoria complementar de empresas ou grupos econômicos, tende a trocar as aplicações de renda fixa em títulos prefixados por papéis pós-fixados. Foi o que indicou a 1ª Pesquisa Econômica para a Indústria de Fundos de Pensão, realizada pela William M. Mercer, uma das maiores consultorias em recursos humanos e previdência privada do mundo. O levantamento foi feito entre dezembro e janeiro, com 31 gestores, que administram cerca de R$ 3,5 bilhões de 49 fundos de pensão.
Conforme a pesquisa, neste semestre, das aplicações em renda fixa, os gestores tendem a destinar 60% dos recursos para títulos pós-fixados, em média, e de 34,2% para os prefixados. "Essa é a estratégia na busca de maior rentabilidade", diz Luiz Carlos Moreira Lima, consultor de investimentos da William M. Mercer.
Embora restrita aos gestores dos fundos de pensão, a pesquisa mostra a tendência de aplicações também para os recursos dos planos de previdência privada aberta, comercializados no mercado por seguradoras e bancos, e até mesmo da indústria de fundos de investimentos. A maioria dos gestores dos fundos de pensão também administra recursos de planos de previdência privada aberto e de outras instituições financeiras.
Conforme o levantamento, neste semestre os gestores dos fundos tendem a destinar 62% dos recursos dos fundos para renda fixa, em média; 33,1%, para renda variável; e 5,% para imóveis. No segundo semestre, a pesquisa mostra que a tendência é aumentar as aplicações em renda fixa, com aplicação de 66,4% dos investimentos nesse segmento, diante de 27,8% em renda variável e 5,2% em imóveis. Também no segundo semestre, as aplicações em renda fixa em títulos pós-fixados tendem a crescer ainda mais, ficando com 66% dos recursos, ante 28,8% destinados aos títulos pós-fixados.
Na renda variável, também há uma tendência da troca de ações de primeira linha, as chamadas blue-chips, pelas de segunda linha. Nesse caso, de acordo com Lima, dois fatores devem estar influenciando o comportamento dos gestores dos fundos. Primeiro, o efeito das ações de telecomunicações, com a venda ou troca dos papéis da Telesp pela ações da Telefónica, e, segundo, o otimismo em relação ao desempenho da economia, tanto nacional como mundial. A pesquisa indicou que a indústria de fundos de pensão espera um crescimento médio de 3,1% no PIB norte-americano, de 2,9% na Comunidade Européia, de 3,4% na América Latina; e de 3% para o Brasil este ano.


