Fundos de pensão têm prejuízo em operação com banco Marka
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 21 (AE) - Os cinco maiores fundos de pensão do País - Previ (Banco do Brasil), Sistel (Telebrás), Petrus (Petrobrás), Funcef (Caixa Econômica Federal (CEF) e Valia (Vale do Rio Doce) - terão prejuízo de R$ 120 milhões por conta de uma operação malsucedida em que aparece o Banco Marka, de Salvatore Cacciola. A informação é de integrantes da CPI dos Bancos do Senado. Eles investigam a operação de lançamento de debêntures, considerada "suspeita" pelos senadores, que envolveu o Marka e três empresas: Teletrust de Recebíveis S.A, Oliveira Trust Distribuidora e Phoneserv de Recebíveis S.A.
A investigação da CPI apontou detalhes curiosos, como o endereço da sede administrativa Phoneserv. A empresa, conforme consta no documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), fica numa favela, em Santana do Parnaíba, interior de São Paulo. Os integrantes da CPI foram ao local - Estradas dos Romeiros, 425 -, mas só encontraram um barraco numa favela, sem nenhuma indicação da empresa. Um inquérito será aberto pela Superintendência da Polícia Federal no Rio para apurar as responsabilidades na transação.
O lançamento das debêntures, que foi registrado na CVM, tem uma explicação técnica "inteligente", mas que, na prática, levantou suspeitas na CPI sobre as reais motivações dos envolvidos. A transação, que ocorreu em 1996, consistiu na emissão de debêntures cujas garantias eram créditos de comercialização de linhas de telefone ao preço de R$ 1.117,63 em planos de expansão das telefônicas estatais.
O problema apontado pelos técnicos da CPI está no valor das linhas. O preço de R$ 1.117, 63 era muito alto para uma época em que o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, já falava na privatização do Sistema Telebrás e na queda dos valores das linhas de telefone. O resultado é que a Teletrust, Phoneserv e Oliveira Trust, que emitiram debêntures no mercado no valor de R$ 368 milhões dos quais R$ 240 milhões foram efetivamente vendidas, ficou sem condições de comercializar as linhas com o início do processo de privatização das teles, que ocorreu em meados de 1998.
Nos depoimentos à PF na semana passada, os controladores admitiram que a empresa não tem como honrar os compromissos da operação. As debêntures vencem em 1.º de julho e não há recursos para efetivar o pagamento.
Os fundos de pensão, que compraram debêntures lançadas no valor de R$ 120 milhões, ficarão com um "mico" (jargão usado pelo mercado para definir o prejuízo em operações financeiras), segundo integrantes da CPI. "O prejuízo dos fundos é certo, porque a operação foi lastreada em garantias reais de recebíveis que não são recebíveis", disse um integrante. Na operação, que foi intermediada pelo Marka em parceria com algumas teles, entre elas a Telegoiás, o banco de Cacciola teve lucro de R$ 10 milhões. As Teles venderam as linhas e tiveram de R$ 230 milhões.


