Fundo que tinha como cotista único o Marka Bank atuou por 4 meses até ser liquidado
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Irany Tereza e Gustavo Alves 
Rio, 14 (AE) - O Inovation Fund, que tinha como único cotista o Marka Bank, subsidiária do Banco Marka nas Bahamas, operou durante quatro meses até ser zerado, em janeiro, no primeiro dia da desvalorização do real. O presidente do Banco Stock-Máxima, Tony Rocha, que administrava o Inovation, não revela o valor de abertura do fundo, mas garante que os R$ 17 milhões remetidos para o exterior no dia do fechamento da instituição era muito inferior ao valor investido no início da operação.
Tony Rocha, que alegando sigilo comercial, recusara-se a revelar o nome do fundo e do cotista (o que foi feito horas depois pelo Banco Central), disse que a operação foi "100% legal" e acompanhada passo a passo pelo BC. A decisão de fechar o fundo e remeter o dinheiro para o exterior foi tomada pelo procurador legal da empresa-cotista, Salvatore Alberto Cacciola. "Nos casos de fundos com cotista único, nossa atuação é meramente administrativa, o gestor é o cotista", comenta o presidente do Stock-Máxima. "Somos um broker cumprindo ordens de terceiros." O fundo operava com uma remessa de dinheiro vinda do exterior do Marka Bank, empresa registrada no BC. Entrou no País pelo Anexo 6, uma categoria usada para entrada de recursos estrangeiros em renda fixa, que isenta o investidor do pagamento de imposto.
Obrigatoriamente, todas estas operações têm de ser informadas ao BC. Segundo Rocha, nem a tesouraria do Stock-Máxima (que ocupava, em março, o sexto lugar no ranking de instituições com o maior volume de investimentos em capital externo) nem outros fundos administrados pelo grupo tinham posições abertas em dólares quando o Inovation foi fechado, um dia antes da quebra do Marka. "A operação não contaminou nossos outros investimentos", diz.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que não tem responsabilidade sobre o fundo de Cacciola administrado pelo Banco Stock-Máxima. Segundo a instituição, o fundo era de renda fixa e era acompanhado somente pelo BC. A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) também se eximiu de responsabilidades, alegando que o fundo de renda fixa não era cadastrado na entidade, e, portanto, não tinha a movimentação acompanhada.
Com depoimento marcado para hoje, às 15 horas, o operador Rubens Novaes, apontado na reportagem da edição desta semana da revista "Veja" como o intermediário entre quatro bancos (entre os quais citados apenas o Marka e o FonteCindam) e um suposto informante do BC, não compareceu à Delegacia Especializada em Crime Organizado e Investigações Especiais (Delecoie). Por meio do advogado, Novaes pediu adiamento do depoimento para amanhã (15), alegando estar em São Paulo.
O Ministério Público Federal (MPF) do Rio informou que, por questões de sigilo, a Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F) recusou-se a dar detalhes sobre as operações de venda de dólares a preço mais baixo do que a cotação do dia para os Bancos Marka e Fonte-Cindam. O procurador Arthur Gueiros, do Ministério Público do Rio, foi hoje a Brasília para discutir a combinação do trabalho de investigação do caso Marka com a Procuradoria-Geral da República do Distrito Federal.


