Andradina (SP), 23 (AE) - O Fundo de Desenvolvimento da Pecuária de Corte vai lutar para manter a exclusão do Mato Grosso do Sul do Circuito Pecuário do Centro-Oeste, apesar da pressão de industriais paulistas e fazendeiros ligados à pecuária de corte, que querem uma revisão da medida. Segundo Pedro de Camargo Neto, presidente do Fundo, a exclusão foi tomada para garantir que outros estados vizinhos do MS, como Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, continuem com seus rebanhos bovinos livres da febre aftosa localizada no início do ano em Naviraí, região sul daquele estado.
Conforme Camargo, técnicos das secretarias de agricultura de todos os estados, incluindo representantes do próprio Ministério da Agricultura, além de vários setores da organização privada ligada à pecuária de corte bovina, participaram das discussões que levaram ao fechamento das fronteiras ao gado do MS. A idéia é impedir que a febre aftosa volte a se espalhar por rebanhos de estados que pleiteiam o reconhecimento internacional como áreas livres da doença.
Até o fim do ano, São Paulo será um dos estados a solicitar da Organização Internacional de Epizzotias o registro, por estar há mais de dois anos sem focos de aftosa. "Uma contaminação coloca todo esse trabalho água abaixo", justifica o presidente do Fundo. Com a liberação de área, o estado poderá ser incluído nas remessas de exportações de carne para Europa, ásia, Japão e Estados Unidos.
Recentemente os norteamericanos abriram cota de 20 mil toneladas para aquisição de carne da Argentina e Uruguaia, países que já estudam possibilidade de acabar com as vacinações periódicas devido à erradicação da doença há vários anos.
Empresários do próprio estado de São Paulo, porém, pressionam pela revisão da medida. Querem que a interdição do comércio de gado do MS seja restrita apenas à região onde ocorreu a doença. A exclusão do MS, que possui o maior rebanho comercial de corte do País - com 24 milhões de cabeças -, poderá encarecer a carne bovina em São Paulo, alegam os empresários, ao mesmo tempo em que derruba os preços internos aos produtores afetados.
A estimativa dos empresários, que se reuniram nesse fim-de-semana em Araçatuba, é que a interdição faça o MS ficar com um excedente de 3 milhões de cabeças, somando-se também os animais mais jovens que cruzariam a divisa para serem engordados em terras paulistas. Enquanto isso, São Paulo, que reduziu pela metade os rebanhos de corte na região noroeste, terá que ir buscar boiadas de outros estados.
Omissão - Para Camargo, o foco de Naviraí "é fruto da omissão do setor privado". Para o líder ruralista, a vigilância sanitária tem sido "precária", o controle de rebanho e trânsito são feitos em padrões "decadentes", e há "queda na vacinação e fraudes diversas".
Até o dia 1º de julho, quando o MS poderá vender carne desossada para outros estados, o São Paulo vai correr o risco de receber contaminação da doença através do contrabando, que no conceito dos ruralistas é tido como um suicídio do próprio pecuarista.
Se o Brasil erradicar a febre aftosa, além de garantir R$ 1 bilhão por ano em exportações, ganhará até 80% a mais no valor da arroba, segundo a argumentação de Camargo.

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