O município de São Miguel do Iguaçu (45 km ao norte de Foz do Iguaçu) está apostando num modelo diferenciado de industrialização. Empresas familiares, regionais e pequenos empreendedores de outras cidades do Estado estão usando uma linha de crédito municipal para desenvolver projetos industriais aparentemente modestos, mas que já começam a se voltar para a exportação.
‘‘Não adianta pensar em megaprojetos. Além de uma tremenda renúncia fiscal, o município se vê, da noite para o dia, dependente de um único empreendimento. No nosso modelo, pulverizamos o risco’’, informa Luiz Alberto da Soler, secretário da Indústria, Comércio e Turismo. O parque industrial, localizado nas proximidades da BR-277, saída para Foz do Iguaçu, conta com 30 novos projetos que já geraram 200 empregos. Os empreendimentos estão sendo financiados por recursos provenientes do pagamento de royalties da Hidrelétrica de Itaipu.
O Município recebe mensalmente R$ 500 mil da Itaipu Binacional. Os R$ 2,5 milhões do Fundo Municipal de Desenvolvimento estão atraindo empreendimentos pioneiros na região.
Os exemplos vão desde um frigorífico de abate de rãs até uma pequena indústria de freezers, passando por uma recicladora de latas de alumínio. Segundo o secretário, por ser um entroncamento rodoviário importante, onde passam 10 mil veículos por dia, São Miguel do Iguaçu é um pólo em potencial para exportação e para a agroindústria.
O frigorífico de rãs e peixes de água doce pretende montar uma cadeia produtiva nos moldes da que existe para produção de frango. Pescadores e psicultores da região que criam as espécies em tanques terão, a partir do início do abate, comercialização garantida. A produção de filés e de rãs resfriadas será a primeira a ser inspecionada pelo Ministério da Agricultura e ter o Certificado de Inspeção Federal, necessário para colocar a produção nos mercados paraguaio e argentino.
Outro investimento de pequeno porte com pretensões no mercado externo é uma fábrica de freezers, que emprega apenas cinco funcionários. A empresa é local e trabalha no sistema de encomendas. O preço competitivo do produto pode render, em breve, vendas para países do Mercosul.
Para os próximos meses, está previsto o início das operações do projeto mais importante do parque industrial até hoje. Uma recicladora de latas de aluminio - a primeira da região Oeste do Estado - capaz de processar 200 toneladas anuais e faturar U$S 1 milhão. Com o empreendimento, a cidade ganhará 30 novos empregos.
O Conselho Municipal de Desenvolvimento, composto por 15 membros (sindicalistas, vereadores, ex-prefeitos) fiscaliza a liberação dos empréstimos, que vence em seis anos. Embora seja corrigida pela UFIR (Unidade Fiscal de Referência), o financiamento não prevê a cobrança de juros reais.

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