Rio, 30 (AE) - O Telos, fundo de pensão dos funcionários da Embratel, prepara-se para ser um prestador de serviços. A fundação vai criar e administrar fundos de pensão de terceiros. "Já procuramos clientes", afirmou o diretor superintendente do Telos, Eduardo Pontual. Como o Telos é uma entidade sem fins lucrativos, poderá cobrar apenas o suficiente para cobrir seus custos. A vantagem, explicou Pontual, é que a fundação poderá criar uma economia de escala, aproveitando sua estrutura administrativa para o trabalho com os clientes.
A inovação faz parte de uma série de mudanças implantadas no fundo de pensão pela norte-americana MCI, que arrematou a Embratel no leilão do Sistema Telebrás, em julho do ano passado, com o compromisso de manter o Telos. Antigamente, por exemplo, o plano era complementar ao da previdência, mas agora não tem essa orientação. "Se o reajuste da Previdência ficasse abaixo da inflação, o Telos tinha de complementar com o que fosse necessário", afirmou Pontual. "E isso era imprevisível." A Embratel também propõe indenizações que o diretor classifica de "vultosas" para os associados que desistirem da assistência médica oferecida pela fundação.
O sistema de contribuições, antes em proporções diferentes para a patrocinadora Embratel e o associado também mudou. Antes, para cara R$ 1 de contribuição do funcionário, a Embratel, como patrocinadora, entrava com mais R$ 1,5, em média. Agora o empregado escolhe se vai contribuir com 3% a 8% do salário, com a contrapartida da empresa.
Acima de 8%, a patrocinadora não acompanha. E a rentabilidade do fundo, que antes ia para o grupo, agora é distribuída individualmente para cada funcionário, de acordo com sua contribuição.
A adesão para o novo modelo chegou a 97%, segundo Pontual. Esses associados migraram para o plano de contribuição definida (em que é determinado o percentual de contribuição). Antes, o Telos oferecia os planos de benefício definido (em que é determinado o benefício que cada associado irá receber quando se aposentar), mas quem ingressar agora não tem mais essa opção.
O Telos tem quase R$ 1 bilhão em investimentos, 9 mil participantes, 33 mil dependentes e 2,6 mil assistidos. Quando a MCI assumiu a Embratel, a dívida do Telos era de R$ 260 milhões. Pontual informou que esse débito foi renegociado e coberto.

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