Fundo de Pensão da CEF vai terceirizar a gestão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 23 (AE) - A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, vai entregar a gestão de R$ 200 milhões de sua carteira de renda variável - ações e derivativos, por exemplo - aos cuidados de nove instituições financeiras, entre o final deste mês e o começo de outubro. Feita a avaliação do desempenho destes gestores externos, a Funcef poderá transferir, em novas tranches, o restante da carteira, que tem um volume total de R$ 1,35 bilhão.
"Temos investimentos em 120 papéis e precisamos de um acompanhamento diário, profissional", afirmou o presidente da Funcef, Paulo Eduardo Cabral Furtado, preocupado em dar mais transparência aos associados.
Esse acompanhamento era feito por pessoal interno. A primeira transferência credencia para a gestão o BankBoston, o Citibank, o CCF, o Chase Manhattan, o Unibanco, o Opportunity, o Banco Alfa e o Icatu, além da própria Caixa.
Para escolher os gestores, a Funcef levou em conta a performance e a rentabilidade dos fundos dessas instituições, que deveriam ter um mínimo de R$ 50 milhões aplicados em fundos abertos (a qualquer cotista). "Vamos exigir que 30% das aplicações estejam coladas a um índice como o Ibovespa e os outros 70% ultrapassem esse ganho", disse Cabral Furtado.
Mais tarde, a carteira de renda fixa da fundação também terá gestão terceirizada. Um sócio de uma das instituições financeiras eleitas pela Funcef, que preferiu não se identificar porque o contrato ainda não está assinado, explicou que essa gestão já é de certa forma terceirizada, na medida em que os fundos de pensão aplicam em fundos de investimento. Em vez de investir diretamente em títulos públicos, os fundos de pensão compram cotas de fundos exclusivos ou abertos - incentivados, entre outras medidas, pela isenção de pagamento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) nesses procedimentos.
Segundo o executivo, esse modelo de gestão mista - interna e externa - não é mais um tabu entre os fundos de pensão. A Sistel, dos funcionários da Telebrás, entregou sua carteira de ações a cinco administradores há dois anos, e tal modelo já foi adotado pela Valia, das empresas do grupo da Companhia Vale do Rio Doce. Na Fundação Cesp, o sistema misto está em estudo. A Petros (Petrobrás), no entanto, voltou a gerir internamente a carteira de renda variável.


