Ribeirão Preto, 29 (AE) - O secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, afirmou em entrevista para a Agência Estado, durante a Agrishow99, que o governo paulista vai disponibilizar um novo mecanismo do Fundo de Expansão Agropecuária e de Pesca (Feap) que permitirá o acesso de pequenos e médios produtores a linhas de financiamento do BNDES, do crédito rural e do Pronaf. Segundo ele, o novo mecanismo permitirá a equalização dos juros - de 11,95% ao ano - cobrados pelo Finame Agrícola, do BNDES, com os juros cobrados pela Feap, de 4% a 5% ao ano.
Segundo o secretário, o pequeno produtor não consegue obter financiamento do BNDES porque ele não possui as garantias pedidas pelo banco nem recursos para arcar com os juros. "Com este mecanismo, o Feap vai sevir de aval para o financiamento, além de equalizar os juros", disse. Meirelles explicou que o pequeno e médio produtor poderá, agora, financiar uma pequena máquina ou implemento, no BNDES, pagando juros de 4% a 5% ao ano. "A diferença entre este juro e a taxa do BNDES será paga pelo Feap", disse. Segundo o secretário, o novo mecanismo está em fase de finalização na Feap e estará disponível a partir de junho.
O financiamento do plantio da próxima safra está entre as grandes preocupações do secretário. Ele afirmou que o crédito rural bancário faliu e que só resta procurar novas alternativas para garantir linhas de financiamento compatíveis com a agricultura. Meirelles antecipou que a secretaria vem negociando com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e com o Banco Central a criação de um novo papel para a venda futura de produtos agrícolas. A BM&F, segundo ele, está disposta a criar uma nova clearing para fazer a compensação destes papéis, que diferentemente dos atuais contratos de commodities da bolsa, serão de entrega física.
O secretário anunciou também que o governo do Estado de São Paulo e o Ministério das Relações Exteriores irão realizar, no próximo dia 21 de maio, um seminário que discutirá as estratégias que o setor agrícola deverá criar para levar até a "rodada do milênio" da Organização Mundial do Comércio, em 2000. Segundo ele, o seminário "Agronegócio Brasileiro e as Negociações Agrícolas na Virada do Milênio" tem como objetivo discutir a conjuntura do mercado internacional de produtos do agribusiness e o efeito que as práticas protecionistas m sobre a expansão do agribusiness brasileiro. Segundo Meirelles, muitos produto brasileiros tem sido prejudicados por práticas protecionistas externas, principalmente da União Européia. (Colaboraram Fatima Cardoso e Kelly Lima, da AE)

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