Fundepec não crê em isolamento de rebanho do MS
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Venilson Ferreira 
São Paulo, 25 - O presidente do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária de Corte de São Paulo (Fundepec), Pedro de Camargo Neto, acha difícil que o ministro da Agricultura, Francisco Turra, assine a portaria proibindo a venda de carne bovina com osso e animais vivos do Mato Grosso do Sul para outros estados. A sugestão foi feita por técnicos há 15 dias, durante uma reunião do Circuito Pecuário do Centro-Oeste, que inclusive sugeriram a exclusão do MS do organismo a fim de que os demais estados possam pleitear o status de área livre de febre aftosa.
O Circuito Pecuário do Centro-Oeste é composto pelo MS, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, parte de Minas Gerais e parte do Paraná. Camargo afirmou que não exite viabilidade política, nem consistência técnica para a exclusão do MS, além dos problemas do ponto de vista de mercado que isto poderia provocar.
Ele acredita que a implementação da medida levaria um ano, a fim de que o MS possa retomar a vacinação, a erradicação dos focos e o controle da febre aftosa no estado. Camargo fez essas afirmações durante o seminário A Comercialização da Safra no Novo Cenário Econômico, que está sendo realizado no Hotel Intercontinental, em São Paulo.
Ele apresentou um estudo que prevê um aumento de 29% nas exportações de carne bovina, uma queda de 2,7% no consumo interno e redução de 40% nas importações em função da desvalorização do real.
Outra palestra foi feita pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Suplicy Hafers, que criticou o esquerdismo do governo no trato das questões agrícolas. Segundo ele, a agricultura ainda é vista como um sistema patrimonial, quando na realidade o valor da terra é irrisório, levando em conta os investimentos em tecnologia.
Ele criticou os acordos internacionais. "Temos que fazer acordos com o comprador, não com o competidor. A Colômbia é responsável por 10% da produção mundial de café e propaga que tem 100% de qualidade." Para ele, a cafeicultura deu um salto qualitativo em termos de produção e qualidade, faltando agora vender melhor a imagem do produto brasileiro no exterior.


