Curitiba- Um dos fundadores do programa Fome Zero, dom Mauro Morelli, bispo emérito de Duque de Caxias (RJ), foi o convidado de ontem na reunião semanal do secretariado de governo e mostrou-se animado com a eminência de o Paraná aprovar uma lei estadual sobre Segurança Alimentar. ''O Paraná vive um momento muito especial com a discusão de um projeto de lei. A lei vai dar estrutura para que o povo coma e beba com saúde e, o que é mais importante, vai obrigar os futuros governantes a darem sequência às ações atuais'', disse ele.
Até o momento, segundo a presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Silvia do Amaral Rigon, só Minas Gerais aprovou lei estadual sobre o assunto. No Paraná, o projeto está sendo elaborado em conjunto entre o Consea e uma frente parlamentar. A expectativa é que a legislação seja aprovada na Assembléia Legislativa até o fim do ano.
O projeto cria o Sistema Estadual de Segurança Alimentar que irá funcionar em sintonia com a Lei Nacional de Segurança Alimentar, aprovada em setembro do ano passado. ''A idéia é potencializar ações no campo da produção, distribuição, abastecimento, consumo, nutrição e saúde, enfim, envolve todo processo de alimentação de nutrição'', diz.
A importância de ter uma política estadual para o assunto, explica, está no fato de se garantir a intersetorialidade das políticas públicas. ''Não tem sentido ter programas isolados, os programas devem convergir para os mesmos objetivos, trabalhando as várias áreas envolvidas, desde a agricultura, saúde, educação, meio ambiente, promoção social. A idéia é que o sistema dê corpo para isso, evitando o paralelismo de ações'', disse.
Dom Morelli ressaltou a importância de que a sociedade estabeleça os valores do ''movimento pela ética na política'', que tinha como um de seus objetivos o combate à concentração de renda. ''Enquanto houver concentração de renda, enquanto continuarmos produzindo alimentos só para a balança comercial, vamos continuar cultivando a miséria e a fome'', ressaltou.
O bispo criticou a atuação das universidades: ''Elas ainda estão distantes. Produzem muito conhecimento científico, muita tecnologia, mas em razão do mercado. É fundamental que produzam conhecimentos para que o povo tenha uma vida com qualidade. É um desafio para o Brasil de hoje''.

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