Fundações florescem enquanto a economia iraniana definha
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Brian Murphy 
Teerã (AE-AP) Reserve um bom quarto de hotel, faça uma boa refeição ou compre um refrigerante. As chances são de que o dinheiro vá para uma das "fundações" iranianas e para o todo-poderoso e linha dura clero.
As impressionantes holdings das fundações, ou "bonyads", cobrem quase todos os aspectos da vida no país, de fazendas de soja a hotéis de luxo. Fora do Irã, a riqueza dessas fundações incluem navios de carga e um prédio de escritórios que pertenceu ao monarca deposto pela revolução islâmica de 1979.
Agora, com o Irã dando sinais de melhora de seu rígido controle estatal sobre a economia, a rede de bonyads representa um dos maiores testes para o bloco reformista liderado pelo presidente Mohammed Khatami. Nenhuma restruturação séria da anêmica economia será possível sem a quebra deste poder.
Mas isso significa confrontar um instituição ultra poderosa, que de acordo com alguns especialistas, incluem confidentes e aliados-chave do supremo líder aiatolá Ali Khamenei.
Um crescente número de críticos acusam as fundações de agir como um conglomerado autônomo fora de qualquer controle normal.
"Eles estão fora da ordem econômica", diz Fariborz Raisdana
uma socióloga que pede maiores detalhes sobre as operações das bonyads. "Pelo menos eles poderiam tentar fazê-los pagar impostos. Eles são um dos maiores complexos econômicos do Oriente Médio".
Estimativas conservadoras indicam que pelos menos um quarto da economia iraniana é controlada pelas cerca de 12 principais fundações.
O conceito de fundação começou com propósitos de caridade sob o regime do ex-Xá, então cresceu e tornou-se o que é hoje: lucrativos negócios tocados por líderes islâmicos.
Alguns dos fundos dessas fundações continuam a realizar programas sociais como clínicas ou ajuda para famílias que perderam parentes durante a guerra contra o Iraque, que foi de 1980 a 1988. Mas os grupos olham cada vez mais para negócios maiores com planos estratégicos e ricos portfolios.
É difícil determinar a completa extensão da riqueza das fundações, já que elas não são fiscalizadas ou obrigadas a revelar seus negócios. Mas as propriedades pertencentes a algumas delas dão uma idéia de sua extensão.
Cerca de 70 companhias agrícolas são operadas por grupos de fundações, entre elas vastos campos de soja, trigo e algodão na região próxima ao Mar Cáspio. As propriedades no ramo de turismo incluem mais de 24 hotéis, dentre eles dois cinco estrelas em Teerã: o Azadi (antigo Hyatt) e o Esteghlal (ex-Hilton).
As fundações administram linhas marítimas globais de seus escritórios em Londres e em Atenas e há a Fundação Estrada de Ferro Oriental, no Irã. Um consórcio de fundações pretende abrir uma empresa aérea. O refrigerante iraniano mais vendido, o Zam Zam, pertence a uma dessas "empresas".
As fundações estão enraizadas na política cultural iraniana. Muitos diretores foram líderes da revolução e tinham laços fortes com seu líder, aiatolá Ruhollah Khomeini. Um ex-presidente de uma delas, Mohsen Rafiqdoust, trouxe Khomeini do aeroporto quando ele retornou ao Irã após a queda do Xá.
"Não há um verdadeiro diálogo sobre reformas econômicas a menos que haja uma discussão sobre como tornar estas instituições mais transparentes e trazê-las para dentro do sistema", disse Mehrdad Baghery, um ex-executivo do setor bancário que pretende abrir uma das primeiras instituições privadas de crédito do Irã.
O novo plano econômico do país para os próximos cinco anos está coberto com uma grossa camada de otimismo para uma nação que viu suas fortunas crescerem.
Os objetivos-chave do programa incluem a quase triplicação de crescimento de pelo menos 6% por ano, corte da inflação para 10% em relação a atual taxa não oficial (30%) e a capitação de recursos com os altos preços do petróleo para trazer uma onda de novos rendimentos para o segundo maior produtor da Opep.
Mas nenhuma menção foi feita no plano sobre a tentativa de controlar a renda das fundações. "Isso demonstra que as reformas continuam a não ter a força necessária", disse Baghery.


