Fundação se preocupa em localizar receptores
Isso é muito preocupante, disse o presidente da Fundação Pró-Sangue, Dalton Chamone, ao comentar a possível compra de 45 mil frascos de albumina proveniente de sangue doado por britânicos, entre eles três que tinham a doença de Creutzfeldt-Jakob, o Mal da Vaca Louca em humanos. Segundo Chamone, é preciso descobrir quem são essas pessoas que receberam a albumina no Brasil.
O Ministério da Saúde e os Estados compram albumina de laboratórios e enviam para os hospitais públicos. Não há dúvida de que a doença pode ser transmitida pelo plasma, diz Chamone. Apesar disso, o ministério britânico de Saúde sustenta que o risco de contaminação é ainda apenas teórico.
A albumina é uma proteína retirada do plasma sanguíneo e usada no tratamento de pacientes com câncer, insuficiências cardíaca e renal, desnutrição e em queimados. Não há ainda teste capaz de detectar se a albumina está contaminada pela doença de Creutzfeldt-Jakob. É que o mal é causado por uma outra proteína, chamada príon, e não por um vírus.
O príon está presente no cérebro e em outras partes do corpo. Especialistas dizem que no seu formato normal, ele é importante para a comunicação entre as células neuronais. Já na sua forma alterada, propaga-se pelos neurônios e os destrói. Na sua forma modificada consegue entrar na circulação sanguínea de um organismo sadio, modificar as moléculas normais e originar doenças, entre elas o Mal da Vaca Louca e, no homem, a doença de Creutzfeldt-Jakob. O príon pode permanecer por anos dentro de um organismo e ele não desenvolver a doença. Caso a pessoa contaminada doe sangue, ela pode infectar quem receber a transfusão.
A empresa britânica responsável pela venda da albumina para o exterior, a Bio Products Laboratory (BPL), declarou ser incapaz de calcular o número de receptores dos produtos sanguíneos infectados. Não existem provas científicas de que a doença possa ser transmitida pelo plasma ou derivados dele, disse o porta-voz da BPL.





