Ney de SouzaRenovadoMonumento
Científico
Moisés
Bertoni: o
laboratório
de pesquisa
do sábio
suíço estará
pronto para
visitação
ainda este
ano; reforma
preserva
traços
originaisA fundação suíça Helvetas está investindo cerca de US$ 60 mil na restauração do Monumento Científico Moisés Bertoni, um dos principais museus da fronteira do Paraguai com a Argentina. Por quase 50 anos - entre o final do século 19 e a década de 30 -, o local serviu de laboratório de pesquisas e moradia da família do sábio suíço Moisés Bertoni (1857-1929).
O Museu Bertoni está localizado na margem paraguaia do Rio Paraná, na fronteira com a Argentina. Fica a 30 quilômetros de Ciudad del Este e boa parte da estrada é de terra e mal conservada. Mas o acesso mais fácil é pelo Rio Paraná, em viagens de barco que saem de Foz do Iguaçu, duram 30 minutos, e são realizadas pela agência de viagens Ilha do Sol.
O museu que está sendo restaurado foi instalado na casa de madeira em que Bertoni morou com a mãe, a mulher e os 13 filhos do casal. Gioia Weber, coordenadora do escritório da Helvetas em Assunção, informou à Folha da Amizade, por telefone, que todas as características arquitetônicas originais da casa - construída em 1901 - estão sendo preservadas.
Segundo ela, a restauração é baseada em fotografias antigas da casa e nas informações passadas por Sigisfredo Bertoni, neto do pesquisador suíço, que passou sua infância no local. Sigisfredo tem hoje 88 anos e mora em Assunção.
Pesquisador polivalente e poliglota, Bertoni desenvolveu estudos em diversas áreas, como agronomia, botânica, zoologia, meteorologia e etnografia (estudo de civilizações indígenas). Ele elaborou um calendário sobre a incidência de chuvas na região que é consultado até hoje e mapas sobre o uso do solo para a agricultura.
Seus experimentos foram descritos em 524 publicações, em sete idiomas. Além das publicações e experimentos científicos de Bertoni, o museu reúne uma biblioteca com cerca de 8 mil volumes e esqueletos de animais da região estudados por ele.
No período em que viveu no Paraguai, Bertoni introduziu na região 2.500 espécies de plantas, das quais apenas 13 sobrevivem hoje. O museu está localizado em um parque nacional com 200 hectares de mata, criado em 1955 por decreto do governo paraguaio. O pesquisador suíço morreu em 1929, em Foz do Iguaçu, vítima de malária.
A restauração do Museu Bertoni - que não recebia nenhum reparo há 50 anos - foi iniciada em outubro do ano passado e deverá estar concluída em junho próximo. Parte do acervo foi levado à Suíça para restauração. Até o fim da reforma, o museu estará fechado para visitação.
A Helvetas é uma organização não-governamental (ONG) criada na Suíça em 1955 e que atua em projetos de desenvolimento em 18 países.
-O repórter Valmir Denardin e o repórter-fotográfico Ney de Souza viajaram ao Museu Bertoni no barco Iguassu Explorer, a convite da agência de viagens Ilha do Sol (telefone 045 574-2900)

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