Campinas, SP, 05 (AE) - No início dos anos 90 o suco de laranja brasileiro correu sérios riscos de ser eliminado da pauta de importações da comunidade européia por causa de um bacilo que adultera o sabor do produto. Vários institutos começaram a fazer pesquisa para identificar o agente e verificar se era patógeno, isto é, se constituía risco à saúde humana. No Brasil as pesquisas ficaram por conta da Fundação André Tosello (http://www.bdt.org.br), de Campinas, SP, que concluiu esta semana um dos estudos mais completos sobre o bacilo, com uma série de recomendações práticas de manuseio e estocagem dos sucos para evitar sua proliferação.
O estudo da fundação começou há quatro anos, a pedido e com recursos da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos, Abecitrus (http://www.abecitrus.com.br). Cinco pesquisadores da Coleção de Culturas Tropical, CCT, trabalharam no projeto. Além de desenvolver uma nova metodologia de identificação do bacilo no meio ambiente, os pesquisadores verificaram que ele não faz mal à saúde e suas condições de desenvolvimento são muito específicas.
"O alicyclobacillus é um gênero novo de bacilo para a ciência", explica Silvia Yuko Eguchi, da CCT. "Ele está presente no solo, nas plantas, na poeira em suspensão e em qualquer tipo de suco, de maçã, de pêssego, de abacaxi, proveniente de qualquer parte do mundo, e não só no suco de laranja brasileiro."
Sob condições muito específicas o bacilo prolifera, alterando o sabor e o cheiro do suco para algo parecido com bacon ou desinfetante. "Isso só acontece quando o suco tem pH inferior a 4 e é exposto a altas temperaturas - superiores a 45 graus centígrados - durante o manuseio ou estocagem do produto reconstituído", diz Silvia. Ela garante que, mesmo alterado, o suco não causa problemas ao homem. "O bacilo só tem condições de proliferar no suco brasileiro por causa do alto padrão de esterilização alcançado, pois ele não se desenvolve na presença de coliformes fecais e outros contaminantes biológicos comuns".
Atualmente o Brasil exporta cerca de 1,2 milhão de toneladas de suco de laranja para Europa, Estados Unidos e ásia, sendo 90% a granel e 10% em tonéis. "No país de destino o suco brasileiro é diluído, repausteurizado e embalado para ir para o comércio", explica Eliseu Nonino, da Abecitrus. "Neste momento
se manuseado ou estocado de forma imprópria, pode acontecer a proliferação do bacilo". Para evitar problemas, a entidade está distribuindo o relatório recém-editado da Fundação André Tosello para importadores, embaladores, cientistas e interessados de todo o mundo.
Mais informações com Silvia Eguchi pelo endereço eletrônico [email protected] ou pelo telefone (019) 2427022.

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