Fundação pede apoio de Lula ao sistema de cotas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de março de 2003
Agência 
Brasília - A Fundação Palmares quer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça uma manifestação pública em favor das cotas para negros nas universidades e no serviço público. O pedido foi feito ontem pelo presidente da fundação, Ubiratan Castro de Araujo, durante o encontro ''O Negro na Universidade: Direito à Inclusão''.
Cogitada para assumir a Secretaria Especial para Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, contou que em reunião no dia anterior, no Planalto, o presidente Lula havia reafirmado o compromisso com a questão racial. Uma declaração do presidente Lula sobre as cotas, justifica Araujo, daria peso político à discussão e poderia influenciar decisão da Justiça sobre o assunto.
Dentro de no máximo 15 dias, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro julgará mandado de segurança contra a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a primeira a realizar vestibular com reserva de 40% das vagas para os negros. A universidade lançou o edital anunciando as cotas, amparada em uma lei estadual.
A reitora da UERJ, Nicea Freire, calcula em 600 o número de brancos desclassificados por negros, em consequência da adoção do sistema de cotas no vestibular de janeiro que ofertou no total de 5 mil vagas. No encontro promovido pela Fundação Palmares, Nicea advertiu que este vestibular está ameaçado não só pelo mandado de segurança impetrado pelo deputado Flavio Bolsonaro (PPB) e pelas ações de inconstitucionalidade que poderão ser apresentadas por entidades, mas também pelas ações individuais.
Entre os autores das ações estão alunos que seriam reprovados mesmo sem o regime de cotas na UERJ, mas reclamam o direito de entrar na universidade por terem mais pontos do que o último classificado entre os negros. Se este entendimento for acolhido, o potencial de liminares chegará a 3 mil. A reitora avalia que decisão judicial contrária às cotas implicará forçosamente uma reclassificação e uma derrota da sociedade.
''Teremos de cometer a crueldade de dizer aos que acreditaram no edital que isso foi uma brincadeirinha'', alertou a reitora, que briga pela manutenção deste vestibular de janeiro independentemente da hipótese de os tribunais concluírem pela inconstitucionalidade do regime.


