Fundação inadequada provocou desabamento de edifício em novembro
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 30 (AE) - O desabamento do Edifício Ericka, em Jardim Fragoso, em Olinda, no dia 12 de novembro, provocando a morte de quatro pessoas, foi causado por fundação e material inadequados ao solo arenoso e úmido do local. Segundo laudo técnico do Instituto de Criminalística (IC) da Secretaria estadual de Defesa Social, divulgado hoje e que será encaminhado à delegacia de Olinda para integrar o inquérito policial que apura a responsabilidade criminal pelo desabamento.
A técnica de alvenaria estrutural utilizada na construção dos prédios tipo "caixão" (sem pilotis, sem elevador e com um máximo quatro pavimentos incluindo o térreo, como o Ericka) implica menor gasto e por isso é muito difundida. Reconhecida pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), a técnica dispensa vigas de ferro na fundação, que é feita com blocos pré-moldados de concreto e alvenaria de tijolo, enquanto as paredes funcionam como base de sustentação.
Segundo o diretor do IC, Paulo Tadeu Vasconcelos, a localização do Ericka exigia cuidados e precauções para tornar a construção menos vulnerável a fatores externos como a existência de um lençol freático a cerca de 1,5 metro de profundidade e a proximidade do mar (cerca de um quilômetro).
De acordo com os peritos do IC, o embasamento deveria ter sido revestido de cimento - o que não foi feito - e a fundação deveria ter recebido reforço de viga e concreto. "Como todo o peso do prédio era distribuído apenas entre as paredes, com o tempo as bases dessas paredes ficaram úmidas e não suportaram a carga do edifício", explicou Alberto Félix, um dos peritos responsáveis pelo laudo. "Como elas eram o único ponto de sustentação, quando cederam todo o prédio veio junto". Estas precauções teriam, no cálculo dos técnicos, aumentado em cerca de 3% a 5% o custo da obra.
O presidente eleito do CREA, Telga Araújo Filho, preferiu não comentar o laudo do IC. Ele disse que só vai se pronunciar sobre o laudo que está sendo elaborado pelo CREA em conjunto com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep). Ele deve ser concluído até 15 de janeiro. Araújo afirmou que o engenheiro responsável pelo cálculo estrutural da obra é quem indica o tipo de fundação a ser usada. O advogado da Construtora Ferro - responsável pela obra -, Rogério Batista, informou que a empresa só fala sobre o assunto depois de analisar o laudo. O Ericka havia sido construído há 12 anos.
Serrambi - Na segunda-feira desabou, no bairro de Jardim Fragoso, o bloco B do Edifício Enseada de Serrambí, que também tinha fundação de alvenaria estrutural. Sete pessoas morreram. Por isso, o diretor do IC prega a necessidade urgente de revisão e normatização desse modelo de construção, o que deverá ser feito por uma comissão que avalia os dois desabamentos, formada pelo CREA, Itep, UFPE, Defesa Civil do Estado, Corpo de Bombeiros e Prefeitura de Olinda. O laudo do Enseada de Serrambí deve ser divulgado em dois meses.


