Fundação assume gestão de três hospitais estaduais
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quarta-feira, 09 de novembro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

A Fundação Estatal de Atenção à Saúde do Paraná (Funeas) assumiu no dia 1º de setembro a gestão de três hospitais paranaenses: Centro Hospitalar de Reabilitação (CHR) Ana Carolina Moura Xavier, em Curitiba; Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, e o Hospital Estadual de Guaraqueçaba. Além da unidade da capital e das duas do Litoral, o Hospital Regional de Telêmaco Borba (Campos Gerais), que segue em construção, também deverá ser gerido pela Funeas.
A Funeas teve a criação aprovada pela Assembleia Legislativa em 2014, mas entrou em funcionamento efetivamente neste ano. Após a fase de planejamento, a fundação, que é vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) em caráter de administração pública indireta, iniciou a fase de transição nas três unidades. Pelo novo sistema, os funcionários das unidades serão contratados por concurso público, no entanto não serão servidores públicos, mas celetistas. Como umas das principais vantagens para o governo, o pagamento dos trabalhadores, apesar do vínculo com a Sesa, não será incluído no limite de gastos com a folha de pagamento, evitando assim punições previstas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
No Centro Hospital de Reabilitação, que funciona no bairro do Cabral, em Curitiba, profissionais que atendiam os pacientes havia vários anos, por meio de contrato com a Associação Paranaense de Reabilitação (APR), começaram a ser desligados pela nova gestão. A medida causou preocupação entre os pacientes. Ana Berthier, que utiliza os serviços de fisioterapia no CHR há cinco anos, demonstra preocupação pela possibilidade de ter os serviços descontinuados. "Nós não temos o que reclamar do serviço prestado, mas o medo é que, com demissões dos bons profissionais, essa qualidade não seja preservada", comenta.
Ana organizou um abaixo-assinado para que o CHR continue como referência para o tratamento especializado em reabilitação, um dos únicos do Estado. Segundo ela, há um temor que a vocação do hospital seja desvirtuada, passando a operar como uma unidade de saúde geral. "É importante ressaltar que não estamos reclamando de nada, só queremos que a estrutura, que consideramos ser excelente, seja mantida", reforça Ana.
Há duas semanas, Ana Berthier foi recebida pelo diretor-presidente da Funeas, Carlos Alexandre Lorga, que garantiu que a intenção da fundação é melhorar os serviços existentes. "A Funeas foi concebida para dar mais agilidade e qualidade aos serviços de saúde. Para isso estabelecemos metas, indicadores. Somos muito cobrados e a boa gestão desses hospitais será determinante para o futuro da fundação", comenta.
A estrutura do CHR oferece tratamentos de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, musicoterapia, três piscinas para aulas de hidroterapia, além do único laboratório de marcha do Paraná, espaço destinado ao estudo do movimento, utilizado por pacientes com paralisia cerebral, doenças neuromusculares e amputados que usam próteses nos membros inferiores.
O contrato atual da Funeas com o Estado é de 30 meses, com orçamento de quase R$ 80 milhões. "Para que possamos ter o contrato renovado e assumir outros hospitais, temos que mostrar resultados", expõe. Lorga diz ser aceitável a preocupação dos pacientes, que criaram vínculos com os terapeutas. "É natural, mas não podemos mantê-los no cargo. Será aberto um concurso público e, assim, se houver interesse, eles poderão participar. Do contrário, estaríamos infringindo a lei e desrespeitando o princípio da impessoalidade", explica.
No Hospital Estadual de Guaraqueçaba, o diretor-geral Ricardo Moura conta que a gestão por meio do Funeas deve solucionar a dificuldade de atrair profissionais para a cidade. "Estamos em uma região pobre e distante. Isso nos prejudica na hora de conseguir profissionais para determinadas áreas da saúde. Este é um dos problemas que poderemos resolver com uma gestão mais célere", aponta. Segundo Moura, a Funeas já pediu um estudo de engenharia no prédio de 2 mil metros quadrados, para ampliar os 20 leitos e a estrutura, hoje enquadrada como baixa complexidade.
A reportagem tentou contato com os diretores do Centro Hospitalar de Reabilitação, de Curitiba, e do Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, mas não obteve retorno. Sobre as obras do Hospital Regional de Telêmaco Borba, que se estendem por cerca de seis anos, ainda não há um prazo a inauguração. O diretor da 21ª Regional de Saúde de Telêmaco Borba, Roberto Amatuzzi Franco, relata que as obras sofreram atrasos por conta de incorreções na execução, além de uma modificação do projeto original, que adicionou a construção de 30 leitos de UTI. "A demora será compensada pela estrutura de UTI que ganharemos, pois vai preencher um vazio dessa especialidade na região", justifica.


