Funcionários se manifestam contra fechamento de restaurantes em SP
São Paulo, 17 (AE) - Cerca de 50 funcionários de restaurantes de luxo da Vila Nova Conceição, bairro nobre da zona sul da capital, passaram o dia de hoje fazendo uma manifestação em frente da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. Na semana passada, por determinação do Ministério Público, cinco casas foram lacradas, sob alegação de desrespeito à Lei de Zoneamento: Allez Bistrô, Botânica, Gino, Gil Café e Napoleone. Com isso, 300 postos de trabalho estão sendo fechados.
Os manifestantes se concentraram numa praça do bairro e depois partiram em ônibus para o Viaduto Major Quedinho, no centro, onde fica a promotoria. Portando faixas, eles chamavam os promotores Carlos Alberto Amin Filho e Mabel Schiavo Tucunduva Prieto de Souza. Amin foi quem assinou o ofício enviado ao administrador regional de Vila Mariana, Roberto Cláudio Gonçalves Ribeiro, pedindo o fechamento das casas. Com relação a Mabel, entendem que ela, por trabalhar na promotoria e ter imóvel na Vila Nova Conceição, teria exercido influência no caso.
Depois de 15 minutos de manifestação, uma comissão formada por seis funcionários foi autorizada a subir até o terceiro andar. Luci Maturano, que trabalha no Napoleone, tem dois filhos e marido desempregado há um ano, tentava entender as razões do fechamento do restaurante. "Por que só a gente?", questionava. Ela referia-se ao grande número de estabelecimentos irregulares que existem na Vila Nova Conceição, entre eles muitas butiques, que continuam funcionando normalmente.
Depois de mais de cinco horas de espera numa ante-sala, a comissão foi recebida pelo promotor Lázaro Roberto Camargo Barros. Ele ouviu as reivindicações dos funcionários por aproximadamente 60 minutos, mas disse que não estava suficientemente informado do caso e que aguardassem a chegada dos promotores Amin e Mabel. Depois que Barros se retirou, um funcionário da promotoria pediu que os integrantes da comissão deixassem seus telefones, pois os promotores estavam em uma reunião fora dali e não retornariam.
Gustavo Faleck e Amaury Arraes, respectivamente caixa e mâitre do Botânica, estavam revoltados. "Ficou claro que nada vai vingar, já que nem fomos recebidos", disse Faleck. "Ficamos horas esperando sem ter resultado", fez coro Arraes. Reunião - No fim da tarde de hoje estava marcada uma reunião entre representantes da Associação dos Moradores da Vila Nova Conceição e o administrador regional. Segundo José Paulo Sérgio dos Santos, secretário da entidade, o objetivo era cobrar de Ribeiro mais rigor - alguns restaurantes estariam deixando o lacre nas portas apenas durante o dia - e providências contra inúmeras lojas que estão funcionando em área Z1, estritamente residencial. "Queremos que todos os irregulares sejam fechados, não só os restaurantes", disse. Ele criticou a atuação dos órgãos municipais.





