São Paulo, 31 (AE) - O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou hoje que os 350 funcionários da produção da Cofap do ABC, na divisa de Santo André e Mauá, entraram em greve por tempo indeterminado contra o fechamento da fábrica de anéis para motores do ABC. Dirigentes do sindicato dizem que a mudança é mais um episódio da guerra fiscal, já que parte da produção estaria sendo desviada para Itajubá (MG).
Pela Cofap, o negociador da empresa com os trabalhadores
Wagner Alfredo Krauss, diz que apenas 50 funcionários (cerca de 15% da produção) paralisaram suas atividades. A Cofap do ABC conta com 600 trabalhadores, dos quais 250 fazem parte da administração.
O diretor do Sindicato, Lázaro Marciano, afirmou que a fábrica está fechando as portas para manter somente o funcionamento da unidade de Itajubá. A filial de Minas também fabrica anéis para motores. O motivo da mudança seriam os maiores incentivos fiscais do governo mineiro e dos menores salários pagos aos metalúrgicos de MG.
Kraus rebateu a acusação, dizendo que a Cofap está retomando um projeto, de 1993, de migração da fabricação de alguns produtos para a unidade de Itajubá. "O Sindicato sabe que 70% de alguns produtos já foram para Itajubá desde 1993", afirmou Krauss.
Lázaro Marciano acusou a empresa de demitir trabalhadores sem definir um Plano de Demissão Voluntária. "Em março, 17 funcionários foram mandados embora. Na sexta-feira (27), mais 35 foram demitidos", disse o diretor do Sindicato.
Do outro lado, Krauss informa que a última demissão foi negociada, em reunião na mesma sexta-feira, com um representante do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dois integrantes da Cipa e 5 trabalhadores demitidos.
"Ficou acertado, por unanimidade, a estabilidade dos funcionários até o dia 5 de janeiro de 2000 e 36 demissões na sexta-feira, além dos direitos já garantidos por lei, mais R$ 1.500 de abono, seis meses de convênio médico e 3 meses de cesta básica", informou Krauss.

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