São Paulo, 28 (AE) - Sem receber salários de dezembro, benefícios e multas por rescisão de contrato, trabalhadores e demitidos da empresa de ônibus Masterbus fizeram novo protesto hoje. A partir das 10 horas, bloquearam as vias de acesso ao terminal São Mateus, na zona leste, impedindo a circulação de ônibus de várias empresas. Houve congestionamento na região. Nos pontos de ônibus, passageiros esperavam em vão.
O terminal - por onde passam 12 mil passageiros por dia, que utilizam 31 linhas - esteve interditado por duas horas. Depois do protesto, os manifestantes reuniram-se na frente da garagem para impedir a saída dos ônibus. Usando um carro de som, criticaram o presidente da empresa, José Idineis Demico.
Um dos motivos da irritação era uma entrevista dada pelo empresário a uma publicação da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é fiel, em que ele afirma que estuda várias propostas para comprar outras empresas de ônibus. "Até o próximo ano, em nome do Senhor Jesus, vou ser o maior empresário do ramo", afirma o empresário na entrevista, cujas cópias eram passadas de mão em mão entre os trabalhadores.
Por meio de sua Assessoria de Imprensa, Demico informou que as declaraçäes tinham sido dadas há quatro meses, ao assumir a empresa, "quando não havia atraso e a perspectiva era de crescimento." Na reportagem, porém, ele afirma que "menos de três meses depois de assumir a empresa, ela já está crescendo mesmo em meio à crise." Como a empresa foi comprada por Demico em setembro, a conclusão é que as declaraçäes teriam sido dadas em dezembro, data da publicação da reportagem.
Demico, no entanto, negou que esteja adquirindo outras empresas do ramo. A Masterbus informou que tem a receber da São Paulo Transportes (SPTrans) R$ 4,7 milhäes. "Para colocarmos em dia todos os débitos com os funcionários, precisaríamos de pelo menos R$ 1,8 milhão, sem contar com o salário de janeiro, que faria o valor aumentar em R$ 600 mil", informou a Assessoria de Imprensa da empresa, que hoje entrou na Justiça com pedido de liminar para declaração de "abusividade" da greve.
Correntes - Os funcionários da empresa afirmam que os atrasos nos salários e benefícios ocorrem há um ano. A situação teria-se agravado a partir de setembro, com a venda da empresa.
Em protesto, dois funcionários demitidos no fim do ano passado acorrentaram-se às grades na frente da empresa, na manhã de hoje. O fiscal Anizio Batista Carvalho e o cobrador João Pacheco Neto afirmam que a empresa deve a eles R$ 3,8 mil e R$ 1,3 mil, respectivamente, relativos aos porcentuais de rescisão, férias e benefícios. Ambos pais de três filhos, afirmam estar com contas atrasadas e só pretendem sair da frente da empresa quando receberem os débitos.
Para quem continua trabalhando, a situação não é diferente. "A Masterbus conseguiu colocar meu nome no Serviço de Proteção ao Crédito", dizia o motorista Edgard Bueno, que tem R$ 2,3 mil a receber.

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