Funcionários expulsos de fazenda no Pará acusam MST
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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 09 (AE) - Quinze funcionários da empresa de aviação Taba, de Belém (PA), acusaram hoje 70 sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de expulsá-los de uma fazenda na Ilha de Mosqueiro, a 58 km de Belém. De acordo com Ulisses Monteiro, líder dos funcionários, que se dizem donos da fazenda pelo fato de a Taba ter falido sem lhes pagar indenização, os integrantes do MST estavam armados com espingardas e revólveres, prometendo atirar caso eles queiram entrar novamente na área.
A fazenda Taba está ocupada há sete meses por 140 famílias sem-terra. A Justiça já expediu duas liminares de reintegração de posse, os lavradores saíram antes de a Polícia Militar chegar, mas voltaram e ocuparam o local. "Nós temos documentos provando que a fazenda era da Taba, a área foi penhorada na Justiça do Trabalho a nosso favor", afirma Monteiro.
O líder do MST Fábio Costa afirma que Monteiro está distorcendo os fatos. "É um mentiroso, ele é quem comanda um grupo de homens que, sexta-feira passada, entrou armado na fazenda, atirando para o alto e levando pânico às mulheres e crianças". Costa argumenta que a pressão dos funcionários da Taba para retomar a fazenda "é inútil". Ele disse que as famílias já decidiram ficar no local. "Já plantamos feijão, milho e verdura, que estamos tentando vender para alimentar as famílias acampadas."
A direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belém não quer se envolver com o problema, alegando que a fazenda está em área urbana. O Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e a prefeitura de Belém estão estudando uma solução para o problema.


