Funcionários dos Correios fazem protesto em Curitiba
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fizeram ontem uma manifestação em Curitiba em protesto contra a quebra do monopólio dos Correios no serviços postais requerida pela Associação Brasileira das Empresas de Distribuição (Abraed). As manifestações foram realizadas em todas as principais capitais brasileiras.
Em Curitiba, o protesto foi prejudicado pela chuva. Entretanto, faixas foram colocadas em frente à sede administrativa dos Correios, no bairro do Rebouças. Segundo o diretor de finanças do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintcom/PR), Sebastião Rodrigues da Cruz, com a quebra do monopólio os valores das tarifas cobradas nas encomendas e correspondências serão triplicados.
Existia ainda a perspectiva de demissão de funcionários. Atualmente, mais de 109 mil trabalhadores estão empregados em Correios de todo o País. A população recebeu ontem uma carta-aberta explicando que a quebra de monopólio interessaria a empresas multinacionais.
A carta conta ainda a experiência de privatização na Argentina em 1997. Mais de 3 mil funcionários foram demitidos e as tarifas foram reajustadas em até 750%. ''Nossas cartas podem ser enviadas com eficiência de Curitiba para Manaus (AM) por R$ 0,70. Com a quebra do monopólio qual será o custo dessa correspondência?'', perguntou Cruz.
A expectativa é a de que a privatização acabe com a correspondência social que custa R$ 0,01 e com a entrega gratuita de cartas escritas em braille (para deficientes visuais). ''Vamos pressionar. Se houver mesmo quebra do monopólio, vamos apelar para o presidente Lula com uma greve por tempo indeterminado até que haja uma solução para o impasse'', ponderou. A greve foi definida em reunião nacional, realizada em Brasília. Cruz destacou que não existe motivo para privatização, já que os Correios têm lucro. Em 2004, o lucro foi de R$ 317 milhões.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciaram ontem à tarde o julgamento da ação que pretende privatizar os serviços postais no Brasil. Mas um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa suspendeu o julgamento.


