Funcionários dos Correios entram em greve
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os funcionários dos Correios entraram em greve ontem em Curitiba e Região Metropolitana e em Foz do Iguaçu. Na Capital e região são cerca de 2,4 mil funcionários e, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), cerca de 70% (por volta de 1,7 mil) aderiram ao movimento. A versão da assessoria dos Correios deu conta de que apenas 6% do total de funcionários, cerca de 200, faltaram ao trabalho em todo o Estado.
Segundo o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nos Correios (Fentect) e diretor do Sintcom, Ivan Carlos Pinheiro, a greve é por tempo indeterminado até que uma proposta melhor seja apresentada pela administração dos Correios. Os funcionários reivindicam 69,28% de reajuste salarial, mais aumento real de 10%, piso salarial de R$ 1.500, vale-alimentação e adicional de 40% do salário-base a título de periculosidade. A proposta incial dos Correios foi de aumento escalonado de 20,39% para os menores salários até 4% para os maiores.
A greve afetou as entregas de correspondência em grande parte do país. Segundo os grevistas, 80% dos quase 100 mil empregados pararam. A estatal afirma que a adesão foi de 18,8%, mas a maioria no setor de entregas, o que realmente prejudicou o serviço. Nas agências o serviço foi normal durante o dia, de acordo com os Correios. Apenas 16 das mais de 12 mil unidades da empresa teriam sido afetadas pela greve dos funcionários. Em São Paulo, os funcionários fizeram uma passeata pela avenida Paulista em direção ao centro.
Em Foz do Iguaçu, a greve dos funcionários dos Correios teve adesão de quase 100% dos 112 funcionários, informou o dirigente sindical Edson Pedro da Silva. Segundo ele, cerca de 40 mil correspondências deixaram de ser entregues visto que ''nenhum carteiro saiu para a rua. Foram entregues somente cartas emergenciais, como para hospitais e laboratórios''. A cidade tem dois centros de distribuição e três agências. Pela manhã, um funcionário chegou a queimar o holerite diante das câmeras da imprensa. O ato simbólico foi contra o reajuste de 4% oferecido pela empresa, que ''aumentou o preço das cartas em 24%''.
Em Londrina a decisão sobre a adesão à greve ficou para hoje. Os funcionários vão se reunir às 13 horas em frente à central de distribuição na Rodovia Celso Garcia Cid. A proposta do sindicato é fechar a entrada da central e impedir a distribuição de correspondências paralisando, assim, o trabalho dos funcionários. Em Londrina são 410 funcionários.
Até o fechamento desta edição as lideranças tanto da Fentect quanto do Sintcom estavam em negociação com o Ministro das Comunicações, Miro Teixeira, em busca de um acordo. Caso o movimento venha a atrapalhar seriamento o trabalho dos Correios, um plano de contigência será adotado para substituir os grevistas. Segundo a assessoria dos Correios, se necessário, a empresa vai contratar mão-de-obra temporária. (Colaboraram Alexandre Palmar e Camila Rigi, com Agência Folha)


