Imagem ilustrativa da imagem Funcionários do Ipem são presos com R$ 500 pagos por posto para evitar autuação
| Foto: Marcos Zanutto/Arquivo FOLHA

Dois funcionários terceirizados do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas) foram detidos após receberem R$ 500 da gerente de um posto de combustíveis no Centro de Apucarana nesta quarta-feira (26). Os suspeitos prestam serviços terceirizados e teriam recebido o valor para não multar o estabelecimento. Eles negam ter pedido propina.

Segundo denúncia à Polícia Civil, os suspeitos Luiz Antonio Tiepo Júnior e Sérgio Massa encontraram problemas nos bicos de duas bombas de combustíveis. Ao fim da fiscalização, Tiepo ficou a sós com a gerente enquanto Massaroto permaneceu do lado de fora.

Neste momento, a Polícia Civil recebeu denúncia do proprietário do estabelecimento de que os fiscais teriam pedido R$ 1 mil para não autuar o posto pela irregularidade. Segundo a gerente disse às autoridades, Tiepo teria afirmado que a multa poderia chegar a R$ 15 mil e que, enquanto repassava as informações ao patrão, o valor teria sido reduzido à metade.

Por orientação da polícia, já ciente da ocorrência, a gerente entregou o valor em notas marcadas. A dupla foi presa no restaurante em frente ao posto, almoçando. Com Tiepo foram encontrados R$ 400 em notas identificadas e com Massaroto, os outros R$ 100.

Ao delegado Marcos Felipe da Rocha Rodrigues, Tiepo deu outra versão. Afirmou que orientou o estabelecimento a acionar o mecânico para o conserto das bombas e, ao pagar a taxa do serviço e entregar o laudo, a gerente entregou os documentos pedidos junto com os R$ 500. Ele, então, teria repassado parte do valor a Massaroto e disse que o dinheiro foi dado para pagar o almoço a eles.

Apesar de admitir que recebeu o dinheiro, Tiepo nega que tenha pedido a propina, o que caracterizaria corrupção ativa. “Eu não pedi esses valores. Ela que me subornou e eu acabei na besteira de aceitar”, disse, ao final do depoimento.

Massaroto disse ao delegado que a infração encontrada não era passível de multa, mas admitiu que isso não foi dito para a gerente. Ele também afirmou que Tiepo lhe passou o dinheiro dizendo que era “um almoço que a empresa estava pagando” e quer teria perguntado a ele se o valor havia sido pedido, o que foi negado pelo colega de trabalho.

Os suspeitos foram presos em flagrante e encaminhados para a Cadeia Pública de Apucarana. Tiepo já pagou a fiança e está em liberdade desde a manhã desta quinta-feira (26) e a defesa de Massaroto espera que ele seja liberto ainda nesta tarde.

O advogado de Tiepo, Alexandre Aquino, disse que seu cliente não fez qualquer pedido de propina e que isso restará provado nos autos. Ele também afirmou que a defesa deve pedir judicialmente providência porque o alvará de soltura emitido pela 1ª Vara Criminal de Apucarana na tarde da quarta não foi cumprido imediatamente.

O advogado de Massaroto, Henrique Germano Delben, afirmou que seu cliente não pediu qualquer valor e não participou de qualquer ato de corrupção.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ipem informou que a fiscalização dos postos de combustíveis seguem padrões estabelecidos pelo Inmetro ( Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e que o caso será investigado pela Polícia Civil e por um processo administrativo do instituto. Leia, a seguir, na íntegra.

“A fiscalização de bombas de combustíveis em todo estado do Paraná segue padrões estabelecidos pelo INMETRO, sendo que em 2018 realizou 43.924 ações em bombas medidoras de combustíveis, em 2019, até setembro, já foram 32.822 ações.

O caso dos colaboradores que foram acusados pelo proprietário do Posto de Combustível em Apucarana será devidamente apurado pela Polícia Civil, e também por processo administrativo do Instituto, para que possamos tomar as medidas cabíveis e responsabilização em caso de confirmação das denúncias.

O Instituto quer tornar público que não coaduna com atitudes como essas que maculam a atuação de um ente público que vem prestando relevantes serviços para a sociedade, com seriedade e eficiência, respaldado pelos anos de convênio que vem mantendo e renovando anualmente com o INMETRO.”

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