Curitiba - Os funcionários de oito das dez agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Curitiba e Região Metropolitana e duas das três agências localizadas em Londrina (ver texto na página) paralisaram suas atividades por tempo indeterminado. Segundo a diretora jurídica do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social (Sindiprevs), Jaqueline de Gusmão, a greve iniciada ontem se deve ao descumprimento de acordo firmado entre o governo e a categoria no ano passado, quando os servidores ficaram em greve por 50 dias.
Segundo Jaqueline, a paralisação foi deflagrada porque o governo federal decidiu enviar ao Congresso um plano de cargos e salários para os servidores do INSS sem consultar a categoria. No ano passado, os servidores suspenderam a greve após o governo se comprometer a achar uma solução em conjunto com o sindicato para a defasagem salarial da categoria.
Pela proposta do governo, os funcionários do INSS na ativa receberiam uma gratificação variável de 10% a 29%, de acordo com a função exercida. Já os aposentados teriam um reajute de 7% a 27%. Para Jaqueline, a proposta é inaceitável. ''Em primeiro lugar, defendemos que seja concedido um reajuste real, uma vez que as gratificações podem ser retiradas a qualquer momento. Além disso, não concordamos com a diferença entre ativos e inativos'', explicou a diretora.
O Sindiprev também reivindica um reajuste bem maior do que o proposto pelo governo. Nos últimos nove anos, tivemos perdas salariais que somam 129%. Temos consciência de que dificilmente o governo irá efetuar a reposição total dessas perdas, mas queremos negociar uma solução que efetivamente melhore a situação dos servidores com urgência. Além disso, também reivinidicamos a abertura de concursos para novas contratações, uma vez que o INSS não tem servidores para atender a demanda atual'', afirmou Jaqueline.
A previsão da diretora é que a greve se estenda para pelo menos 50 outras agências a partir de amanhã. ''Muitas agências estão realizando assembléias hoje (ontem)'', disse. Só em Curitiba, cerca de 4 mil pessoas deixam de ser atendidas por dia com a greve. Os únicos serviços que estão sendo prestados são as perícias médicas e o desbloqueio de pagamentos, no caso de usuários que tiveram problemas com o sistema bancário.

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