O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, demitiu ontem três funcionários da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Mato Grosso, envolvidos em corrupção. Os servidores respondiam a inquérito administrativo que foi iniciado em 1990, e foram indiciados também em processo criminal por corrupção e formação de quadrilha.
O ex-chefe do projeto Fundiário de Cuiabá, Marcorélio da Costa Ribeiro, era quem comandava um esquema de corrupção de posseiros e garimpeiros da Gleba Gama, no norte do Estado de Mato Grosso, segundo assessores de Jungmann. Ribeiro recebia dinheiro ilegalmente para regularizar as terras devolutas da União, um processo que é feito gratuitamente pelo Incra. O topógrafo Juramy Correia da Chaga e o engenheiro agrônomo Mikio Oshitani, também estavam envolvidos no esquema.
Os próprios posseiros enganados, ouvidos por uma comissão de sindicância do Incra, confirmaram que davam dinheiro e até ouro para os três servidores, em troca da regularização de seus lotes. O esquema de corrupção chegou até a resultar em uma morte. Um posseiro, ludibriado pelo grupo, matou uma pessoa achando que se tratava de Juramy Correia da Chaga.
O esquema armado por Ribeiro, Chaga e Oshitani, só foi descoberto alguns anos depois. A área de atuação do grupo tinha entre 200 e 300 hectares, e um grande número de posseiros chegavam a negociar os pagamentos ilegais aos funcionários do Incra abertamente, em reuniões públicas. Embora tenham sido iniciadas há sete anos, as investigações só foram concluidas recentemente. Além de serem demitidos, os ex-servidores da superintendência do Incra em Cuiabá respondem a inquérito policial e já foram indiciados na Polícia Federal por corrupção.

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