Funcionários do Grupo Bloch não recebem e falam em boatos de rompimento da parceria
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 05 (AE) - O Grupo Bloch não pagou os salários de seus funcionários, conforme havia sido prometido em memorando o presidente Pedro Jack Kappeller, quando assinou o contrato de parceria com a produtora RGP para produção e comercialização de programas. Só os gráficos da Editora Bloch receberam os salários de janeiro, mas a segunda metade do 13º salário de 1998, que deveria ter sido depositada hoje, não estava na conta dos empregados.
Segundo os sindicatos ligados às categorias que trabalham na empresa (Gráficos, Jornalistas, Sindicalistas e Artistas) nenhuma satisfação foi dada nem há previsão de pagamento. Os gráficos ameaçaram parar, mas voltaram atrás diante da promessa de que o complemento do 13º será depositado na segunda-feira. Além das revistas da Editora Bloch (Manchete e Amiga são as principais), a gráfica imprime catálogos e jornais de supermercados.
Os salários dos funcionários da televisão eram de responsabilidade do Grupo Bloch, de acordo com o contrato assinado com a RGP. No entanto, nem os empregados que voltaram a trabalhar no início do mês para veicular o "Jornal da Manchete" foram pagos. Eles afirmavam que há boatos dentro da empresa de que o acordo com a RGP, ligada à Igreja Renascer, corre o risco de ser cancelado, por ter estipulado um pagamento de US$ 4,8 milhões. Com o aumento da cotação da moeda americana, a produtora estaria querendo pagar valores semelhantes aos do início do ano e Kappeller estaria exigindo a cotação atual.
Tanto o presidente do Grupo Bloch quanto sua filha e diretora da TV Manchete, Jacqueline Kappeller, se recusaram a falar sobre o assunto, assim como o sócio minoritário, Carlos Sigelman que, no início do ano, relutou em assinar o acordo com a RGP, mas acabou sendo convencido pelos sócios majoritários. Na Igreja Renascer, os pastores Sônia e Hernani Estevan também não quiseram comentar o assunto. Pactual- Esta semana, representantes de funcionários da emissora voltaram a se reunir com o presidente do Banco Pactual, Luiz César Fernandes, solititando sua intervenção para encontrar compradores para a Manchete. O encontro foi informal e Fernandes aceitou voltar a negociar, caso encontre investidores interessados. Pedido semelhante havia sido feito no início do mês pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Manifestação - Hoje, os funcionários da TV Manchete fizeram uma manifestação hoje em frente à sede da emissora, com o enterro simbólico do presidente do Grupo Bloch. A polícia estava presente, mas não interveio porque eles apenas fizeram discursos de protesto a abriram faixas com acusações contra a empresa.


