Funcionários do BNDES fazem nova greve de 24 horas
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Mônica Ciarelli e Gustavo Alves 
Rio, 08 (AE) - Os funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoveram hoje mais uma paralisação de 24 horas para protestar contra a recusa da diretoria da instituição em negociar uma reposição salarial. Essa é a segunda vez que os empregados da instituição cruzam os braços este mês para forçar a diretoria da instituição a apresentar uma proposta de reajuste à categoria.
A presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, Fernanda Carísio, afirmou que o presidente do BNDES, Andrea Calabi, chamou os grevistas para conversar durante a tarde, mas não apresentou propostas. "Ele se disse sentido com a greve e queria esperar o resultado das negociações salarias com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal", disse.
Além da paralisação, cerca de 300 funcionários fizeram um piquete na entrada da banco, no centro do Rio. Uma assembléia seria realizada no final da tarde, para discutir a manutenção da greve. Hoje, apenas a diretoria e serviços essenciais do banco, como manutenção e o Centro de Processamento de Dados (CPD) trabalharam normalmente. O presidente do BNDES, Andrea Calabi, considerou o movimento "está fraco", alegando que se não houvesse piquete na porta da instituição muitos funcionários teriam ido trabalhar.
Já o líder do movimento, Antônio Saraiva, rebateu o argumento do presidente do BNDES, Andrea Calabi, de que as negociações salariais ainda não avançaram porque precisam ser feitas em consonância com as negociações com os outros bancos estatais, como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF). "Eles estão falando isso há três meses, mas o BB e a CEF já estão com dissídio no Tribunal Superior de Trabalho (TST)", afirmou. "Agora, o TST está em recesso, e o risco é de que não haja nenhum resultado até março, como aconteceu no ano passado"
explicou o sindicalista.
A Associação não fez nenhuma reivindicação salarial específica ao banco neste ano. Apenas informou que teve perda salarial de 23% desde o início do Plano Real. "A gente sabe que não vai recuperar isso, mas teria importância uma proposta similar à dada a outros bancos, de 5% de aumento mais abono", informou. Saraiva lembrou que esta proposta já foi aceita no Banespa, "que é um banco federalizado".
Vários eventos que seriam realizados hoje no BNDES tiveram que ser transferidos por conta da greve. O lançamento do projeto "Mãe Canguru", por exemplo, foi realizado no teatro Nelson Rodrigues, ao lado da sede do banco, e o seminário sobre mercado de capitais, programado para a tarde, foi transferido para a sede da Petrobras, localizada em frente ao banco.


