Funcionários fizeram a paralisação sem comunicar o sindicato da categoria
Funcionários fizeram a paralisação sem comunicar o sindicato da categoria | Foto: Saulo Ohara



Londrina amanheceu repleta de sacos de lixo não coletados. Desde o final da noite de segunda-feira (2), motoristas e coletores decidiram paralisar as atividades em função da demissão de um motorista da Kurica Ambiental, empresa terceirizada responsável pelo serviço na cidade. Os coletores reivindicavam a recontratação do funcionário, além de melhores condições de trabalho.

Uma reunião chegou a ser realizada ainda durante a manhã, mas a empresa e os funcionários não chegaram a um acordo. Até o fechamento desta edição, a paralisação continuava, sem perspectiva de que chegasse ao fim. O turno das 19h iniciou com os caminhões na garagem e os trabalhadores de braços cruzados.

Segundo a presidente do Siemaco (Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Londrina), Izabel Aparecida de Souza, os funcionários estavam irredutíveis quanto a recontratação do trabalhador dispensado. Já a empresa garantiu que não cederia. "Não conseguimos acordo da retomada do serviço de maneira amigável e estamos analisando todas as possibilidades reais para resolver", afirmou a advogada Rosangela Marceli Arduin, que trabalha na defesa da Kurica Ambiental.

Souza explicou que a paralisação não tem amparo legal. "Eles deliberaram pela paralisação por eles mesmos e só depois me comunicaram, mas quando chegamos eles já não estavam trabalhando. Quando a gente faz esse tipo de paralisação há todo um trâmite legal, o que não foi feito desta vez", afirmou.

Ela confirmou que uniformes e caminhões da empresa estão fora do padrão exigido. "Eu estive olhando os uniformes e eles estão mesmo fora do padrão, com uma malha mais fina. Alguns estão rasgados. A gente já tinha falado para a empresa em outra oportunidade, e eles tinham consertado, mas foi algo momentâneo. Em relação aos caminhões, vi que tinha um bem fora do padrão, porém a fiscalização dos caminhões não compete ao sindicato. A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) foi comunicada da irregularidade", apontou.

"Eles alegam que o motorista estava danificando o veículo e que ele acelerava demais o caminhão, mas os coletores da equipe garantem que ele não faz isso. (...) Eles não dão condições de trabalho e jogam a culpa para cima do funcionário", reclamou o coletor Edson Gregório dos Reis.

Camilo Viana, do departamento jurídico da Kurica Ambiental, disse que a empresa foi surpreendida pela paralisação e pelas alegações de condições inadequadas de trabalho. "Isso não procede. Toda a frota é nova, usamos uma infraestrutura própria para atender a este contrato público e somos fiscalizados pela CMTU diuturnamente", disse.

A paralisação pegou moradores do centro de surpresa. A psicóloga Sônia Siqueira destacou que ver o lixo acumulado é terrível. "Fica impossível suportar isso, porque em poucos dias o lixo fica deteriorado", apontou. (Colaborou Pedro Marconi)

CMTU garante 'vistoria constante'
A CMTU notificou a Kurica Ambiental pela paralisação dos funcionários responsáveis pela coleta do lixo domiciliar em Londrina. A intimação determinou o retorno imediato das atividades e foi emitida na terça-feira (3), porque o contrato prevê a formalização de queixas somente após o encerramento do período em que a empresa deveria executar a coleta e não o fez.

De acordo com o presidente da companhia, Moacir Sgarioni, a demissão de um funcionário não pode ser motivo para que o serviço seja interrompido e a CMTU não pode intervir neste tipo de assunto. "O que existe é uma pressão e um movimento de protecionismo da categoria. Apesar de o serviço ser público, a empresa é privada e não temos como ficar intercedendo em todos os momentos. Ela tem seus códigos e o que chegou para nós é que isso foi cumprido", disse.

Desde o começo da atual contratação, iniciada em de março de 2017, a companhia emitiu à terceirizada 20 notificações por problemas constatados. Todos os apontamentos, de acordo com a CMTU, foram sanados pela Kurica. "Todo o serviço prestado é controlado e existe uma vistoria constante do que é executado. Quando temos alguma situação que foge do contrato, o setor de operações informa e logo temos a solução. Atualmente, tudo está dentro da legalidade e ao encontro do que é determinado", garantiu.

Como forma de resguardar os direitos dos motoristas e coletores, a companhia garante que condiciona o pagamento mensal da Kurica à apresentação dos comprovantes de pagamentos dos trabalhadores.

Vítor Ogawa, Luís Fernando Wiltemburg, Pedro Marconi e Carolina Avansini
Reportagem Local

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