Funcionários de Santas Casas de SP ameaçam entrar em greve
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 18 (AE) - Cerca de dez mil trabalhadores que atuam em 150 Santas Casas e hospitais filantrópicos do interior de São Paulo ameaçam paralisar as atividades na próxima terça-feira (23). Eles protestam contra o corte das cláusulas sociais que faziam parte do acordo coletivo com o sindicato patronal. A proposta de greve será votada amanhã (19) durante assembléias em vários municípios.
Hoje, representantes do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde e do Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo participaram, em Campinas, a 90 quilômetros da capital, de uma reunião de mediação convocada pela Procuradoria Regional do Trabalho. O encontro terminou por volta das 17 horas, sem acordo.
Os empregados reivindicam a manutenção do anuênio, que equivale a 2% do salário para cada ano trabalhado; adicional noturno de 60%; e mais 100% para horas extras. Em dezembro, as Santas Casas e hospitais filantrópicos decidiram congelar o anuênio, reduzir o adicional noturno para 20%, e as horas extras para 50% dos salários.
Durante a reunião de hoje, o procurador regional do Trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, propôs às duas partes que a redução do percentual referente às horas extras e ao adicional noturno passasse a vigorar a partir de 1º de março, e o congelamento do anuênio a partir de fevereiro. A proposta será analisada nas assembléias previstas para amanhã.
O presidente do sindicato patronal, Rubens Travitzky, alega que as instituições atravessam uma grave crise financeira. Segundo ele, 90% dos pacientes são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Os repasses do governo não cobrem nossas depesas", afirma Travitzky.
Para o presidente do sindicato da categoria, Edison Laércio de Oliveira, o corte das cláusulas sociais é ilegal. "Esse tipo de alteração só pode ser feito durante a elaboração de um novo acordo coletivo", disse. Segundo ele, os trabalhadores não pretendem abrir mão de suas conquistas trabalhistas.


