Curitiba - Cerca de 400 trabalhadores de salões de beleza de Curitiba paralisaram ontem suas atividades, em protesto contra uma ação do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) que vem conduzindo investigações para apurar irregularidades na contratação de funcionários por estabelecimentos da Capital.
A ação prevê a existência de um contrato obrigatório de cabeleleiros, manicures, pedicures, maquiadores como empregados de grandes redes, não mantendo os contratos de autônomos. Isso gerou polêmica entre os profissionais que organizaram o ato.
De acordo com o Sindicato dos Profissionais Autônomos em Beleza Estética (Spabe), Sandoval Tibúrcio, os trabalhadores estão preocupados com a instalação e extensão da medida a todos os salões e isto, segundo ele, implicaria em prejuízo para os autônomos. Ele destaca que os autônomos, como contratados, passariam a ganhar o piso da categoria, estipulado entre R$ 1.250 para cabeleireiro e esteticista com diploma de escola profissional e R$ 764 para barbeiro, manicure, pedicure, calista, massagista, depiladora e maquiadora.
''É um retrocesso. Nossa classe busca especialização frequente e, caso ocorra a mudança, um profissional que em média ganha R$ 3 mil por mês passaria a ganhar algo em torno de R$ 700. Não vamos acatar isso'', informou Sandoval.
Os manifestantes foram até a sede da Delegacia Regional do Trabalho do Paraná (DRT-PR) e conversaram com o superintendente Neivo Beraldin, para marcar uma mesa-redonda com o procurador do MPT, responsável pela ação. ''Vamos ver como isso prossegue. Os profissionais da beleza trabalham como autônomos em todo o Brasil e a categoria é forte. Nossa situação é regular, só queremos permanecer da mesma maneira. O DRT-PR sabe disso e deve nos ajudar'', destacou.
Para o MPT-PR, há indícios de que a contratação dos funcionários ocorre sem a anotação da Carteira de Trabalho e isso é irregular. ''A ausência do registro em carteira impede que o trabalhador tenha direito a hora extra, férias, 13º salário, FGTS, descanso semanal e outras garantias legais. A anotação em carteira não significa redução do salário como eles vêm dizendo. Eles não vão deixar de ganhar a comissão, que é o que contribui para o valor final da renda. Se existe vínculo, há relação de emprego e não trabalho autônomo'', disse o procurador do MPT-PR, Alberto Emiliano de Oliveira Neto.
O procurador ainda informou que existem vários inquéritos abertos no MPT que apuram as relações cotratuais em diferentes salões da Capital e da Região Metropolitana.

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