Atibaia, SP, 22 (AE) - Cerca de 60 funcionários da Indústria Farmacêutica Luma, em Atibaia (SP), procuraram hoje a polícia para denunciar uma série de irregularidades na produção de medicamentos. De acordo com o analista de laboratório, Marcos Augusto da Silva, grande parte dos remédios do Luma não respeitam as dosagem dos princípios ativos. "Tenho amostras de remédios que estão fora das especificações do que determina a bula", denunciou Silva.
"Toda a produção do Luma pode estar comprometida devido às condições de higiene do local", continuou o analista. "Nós, funcionários, também éramos obrigados a rotular novamente, medicamentos com o prazo de validade vencidos", disse. O dono do laboratório, Rubens Guimarães Jorge negou as acusações. O industrial admitiu, porém, que em janeiro a Vigilância Sanitária de Atibaia interditou parte do laboratório, impedindo a produção de Amoxilina.
"Tivemos problemas com esse medicamento, mas isso ocorreu em 1998", justificou Jorge. "Prefiro não falar nesse assunto", continuou. "O Luma vende remédios para todo o Brasil e há maneiras de se colher amostras para análises", finalizou.
Contrariando a versão do industrial, o chefe da Divisão de Farmácias da Vigilância de Atibaia, José Eduardo Mariano, disse que a produção de penicilínicos foi interditada em janeiro
em função da inadequação do local, devido à dispersão de pós. "Também constatamos problemas com exames médicos de funcionários que trabalham na área e por isso o laboratório estava impedido de produzir penicilínicos", explicou Mariano. Falência - A denúncia de irregularidades no Luma veio à tona ontem (21) depois que os cerca de 60 funcionários foram impedidos de entrar no laboratório. O motivo seria a falência da empresa decretada pela Justiça.
"Não é verdade sobre a falência e eles nos impediram de entrar para tirar tudo de lá e não pagar dívidas trabalhistas", disse a auxiliar de produção Maria Neide Cruz Cardoso. "O laboratório já foi fechado pela Justiça mas reabriu por força de uma liminar", continuou.
"Não recebemos nem o salário de janeiro e agora não nos deixam entrar para retirar nossos pertences dos armários", alegou Neide. Por volta das 17 horas de hoje, policiais civis e agentes sanitários estiveram no laboratório com o objetivo de apreender amostras de remédios, mas não havia ninguém no local. Segundo o delegado Sebastião Alves de Oliveira, a polícia vai apurar possível crime contra a saúde pública, com base nas denúncias dos funcionários.

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