Curitiba - Os funcionários da área de enfermagem e administração de hospitais, clínicas e estabelecimentos de saúde da rede privada de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba entraram em greve ontem.
A paralisação é por tempo indeterminado e atinge com mais força o Hospital Pequeno Príncipe, de atendimento infantil, onde mais de 30% dos empregados do primeiro turno pararam. Com isso, das 28 cirurgias que estavam marcadas para ontem, só oito, que eram urgentes, foram realizadas. As outras 20, de caráter eletivo, foram adiadas.
Nos outros grandes hospitais de Curitiba, como o Evangélico, Cruz Vermelha, Vita, Nossa Senhora das Graças, Santa Casa, segundo informações do Sindicato dos Hospitais e Estabecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sinpar), o movimento não prejudicou o atendimento.
Segundo a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), Isabel Cristina Gonçalves, cerca de 700 empregados pararam ontem, de um total de cerca de 14 mil. Ela frisa, no entanto, que a intenção do movimento é fazer uma paralisação gradativa, garantido que a população não fique sem atendimento.
Os trabalhadores reivindicam reposição de 28% nos pisos e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais aumento real de 10% nos salários, auxílio-alimentação de R$ 250, plano odontológico, redução na jornada de trabalho para 40 horas semanais para o setor administrativo e para 30 horas para a enfermagem, além de novas contrações.
A última contraproposta patronal, rejeitada pela categoria, é de reajustes de 8,5% a 11,2% nos pisos salariais pagos até janeiro de 2012, e aumento de 30% no vale-alimentação. Para os trabalhadores com salário não vinculado ao piso, o reajuste proposto foi de 6,5%.
''Nas circunstâncias atuais, a rede particular de serviços se vê impotente para impedir um movimento grevista, pois a proposta que apresentamos é o nosso li6mite'', diz Luis Rodrigo Milano, presidente do Sinpar. Segundo ele, nos últimos cinco anos vêm aplicando reajustes acima da inflação e que, ao contrário, não obteve a recomposição dos valores dos serviços que presta aos setores público e suplementar. Alega, ainda, que os custos hospitalares cresceram muito além da variação inflacionária e o segmento agora se vê sob agravo de risco de insolvência, de manutenção dos serviços ou para saldar seus compromissos com fornecedores, folha de pessoal e encargos.

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