Funcionários de Furnas ameaçam entrar em greve na terça
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 23 (AE) - Funcionários de Furnas Centrais Elétricas ameaçam entrar a partir da próxima terça-feira em greve por tempo indeterminado contra o processo de cisão da estatal para privatização. A cisão, que já foi decidida pelo Conselho Nacional de Desestatização, será ratificada pelo conselho dos acionistas da empresa em reunião na quarta-feira. Furnas será dividida em duas empresas geradoras de energia, que serão privatizadas provavelmente no segundo semestre. A área de transmissão ficará ainda sob responsabilidade da União.
A decisão pela greve por tempo indeterminado foi tomada por unanimidade em uma assembléia dos funcionários, hoje de manhã, no pátio do edifício central de Furnas, em Botafogo, zona sul. Segundo o Sindicato dos Urbanitários, cerca de 1,5 mil pessoas participaram do ato. A Polícia Militar calculou em 600. O presidente do sindicato, Aldanir Carlos dos Santos, disse que a privatização será prejudicial para o próprio governo, porque deixará "o ônus do sistema elétrico, que é a transmissão, para a União".
"A receita de Furnas, que está na geração, ficará para a iniciativa privada", disse o sindicalista. Após a assembléia, os trabalhadores deram um abraço simbólico à sede da estatal e depois cantaram o Hino Nacional. Santos explicou que desde o pedido de exoneração do presidente de Furnas, Luiz Laércio Simões Machado, no último dia 16, os funcionários estavam em estado de paralisação, ocupando diariamente o pátio da empresa.
O presidente do Sindicato dos Urbanitários afirmou também que o movimento grevista reivindica o pagamento imediato do débito do governo com o fundo de pensão dos funcionários de Furnas, a Fundação Real Grandeza, que em janeiro estava em R$ 1 2 bilhão. Machado pediu exoneração da presidência da estatal por causa da posição do governo, que se nega a pagar o débito. De julho de 98 até janeiro desse ano, a dívida subiu 42%.


