Curitiba Os proprietários de bingos do Paraná decidiram recorrer à Justiça contra o decreto do governador Roberto Requião que anula resolução de regularização da atividade. Em reunião realizada na sexta-feira à noite, os empresários decidiram que vão recorrer à Justiça Estadual e Federal porque acreditam que estão trabalhando de forma legalizada. As ações que serão ajuizadas estão sendo estudadas pela equipe de advogados constituída pelo Sindicato dos Bingos do Paraná (Sindibingos).
Enquanto isso, o Sindibingos está orientando seus associados a permanecerem fechados, para não criar um confronto com o governo do Estado e com a polícia, disse Luiz Eduardo Dib, presidente da entidade. Dib e os demais empresários do setor estão revoltados com a decisão do governador, que segundo ele não combina com o regime democrático do País.
Os bingos estavam funcionando de acordo com a certificação de autorização emitido pelo Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar) em setembro do ano passado. Para obter esse certificado, com a duração de um ano, os empresários pagaram uma jóia no valor de R$ 22 mil, correspondente a cada bingo. Além disso, cada casa vinha recolhendo entre R$ 10 mil a R$ 12 mil por mês ao Serlopar, como taxa de manutenção da regularização.
''Vinhamos pagando todas as taxas exigidas pelo Serlopar, assim como todos os impostos federais e estaduais. Somos empresas constituídas e se há irregularidades elas devem ser apontadas'', disparou Dib. Segundo ele, se o governo do Estado e o Ministério Público ''têm provas de que casas de bingo estão lavando dinheiro, eles que apontem porque o Sindibingos será o primeiro a estar ao lado do governo e do MP para banir empresários que utilizam os bingos para negócios irregulares'', destacou.
O Sindicato dos Empregados de Casas de Bingo estão organizando uma ampla passeata na próxima terça-feira em Curitiba, com a presença de cerca de 2 mil empregados do setor. No Paraná, as 33 casas de bingos geram cerca de 4 mil empregos diretos.
O Sindibingos prevê uma crise para o setor se as casas tiverem que permanecer fechadas e os funcionários tiverem que ser demitidos. ''Não há recursos suficientes para pagar todas as despesas rescisórias e também para quitar possíveis débitos com tarifas públicas, aluguel e impostos'', avisou.
Em Londrina, o movimento nas casas de bingo, ontem à tarde, foi normal, conforme a Folha apurou por telefone. Os três estabelecimentos da cidade abriram suas portas. (Colaborou Fernanda Bressan, de Londrina)

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