Curitiba - Dois funcionários do HSBC, em Curitiba, foram presos, ontem, acusados de montar uma instituição financeira paralela, usando o nome do banco para atrair investidores. Um dos envolvidos era o gerente de crédito imobiliário da agência localizada no Palácio Avenida, no centro da Capital. O grupo, que contava com mais três pessoas, também presas, prometia rendimentos de 7% do valor investido. Atualmente não existe nenhum fundo de renda fixa que gere este valor.
A operação chamada ''Loki'', realizada pelo Grupo de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal (PF) do Paraná, iniciou a investigação em 30 de abril após solicitação do Ministério Público Federal (MPF), acionado pelo setor de inteligência do HSBC. As suspeitas começaram, quando o banco verificou que a conta dos dois funcionários apresentava movimentação de valores além das possibilidades financeiras de cada um.
Os acusados usavam a logomarca do HSBC em material impresso e em e-mails para convencer as vítimas a participarem do esquema, que funcionava como uma espécie de pirâmide: os ''investidores'' captavam mais pessoas.
O coordenador da operação, delegado Igor Rosário de Paula, acredita que alguns dos investidores sabiam que a ação era fraudulenta, mas queriam se beneficiar do rendimento. ''Até agora o grupo conseguiu atender todos os saques dos envolvidos no esquema, pois o valor arrecadado era muito maior que o retirado'', explica o delegado. As vítimas que retiraram o dinheiro investido obtiveram o rendimento de até 7%. Mas, se o esquema tivesse continuidade, os outros participantes poderiam enfrentar problemas, já que o patrimônio líquido do grupo poderia não cobrir os investimentos. Como o rendimento de 7% não existe, o dinheiro era depositado em outras aplicações de rentabilidade garantida, que geravam aproximadamente 1% de lucro.
Durante os mandados de busca, a polícia apreendeu R$ 110 mil, oito carros, uma lancha e cinco motos, além de impressos falsificados com a logomarca do HSBC, nas casas dos acusados. Em uma das residências havia, inclusive, uma máquina de contar cédulas. Segundo o delegado, a operação foi antecipada, pois a PF descobriu que seria feito um saque de quase R$ 1 mihão, por um dos captadores, para a compra de uma fazenda no Interior do Estado. O grupo negociava, também, a compra de um prédio no valor de R$ 3 milhões. As contas dos envolvidos foram bloqueadas.
Ainda de acordo com Paula, a maior parte das vítimas é de Curitiba, mas brasileiros no Japão também participaram. Os cinco presos são da mesma família e outros mandados de busca agora são cumpridos por cerca de 50 policiais federais. Calcula-se que o valor movimentado pelo grupo, nos últimos 12 meses, pode chegar a até R$ 18 milhões.
Os cinco presos fazem parte da Congregação Cristã do Brasil e parte das vítimas era persuadida na própria igreja. Segundo o delegado, os atuais clientes do HSBC não têm motivos para preocupação, já que o grupo não buscava dentro do banco novos clientes para dar o golpe. A polícia estima que 100 pessoas participaram do esquema. Os investimentos realizados variam entre R$ 150 e R$ 150 mil. Cada caso será analisado para ver se as supostas vítimas receberão o valor investido. O grupo deverá ser indiciado por crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
O HSBC informou, por meio da assessoria, que ''colaborou integralmente com as autoridades federais, viabilizando o acesso a elementos indicativos de prova das ações criminosas''. Em nota, destacou que as ações ocorreram fora do âmbito do HSBC e que, portanto, nenhum cliente foi lesado.(Colaborou Andréa Lombardo)

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