Rio, 23 (AE) - Os 1,3 mil funcionários da Volkswagen em Resende, no Rio de Janeiro, cruzaram os braços hoje para reinvindicar a criação de um contrato nacional único de trabalho para a categoria. A paralisação da fábrica por 24 horas é a primeira de uma série de manifestações que os metalúrgicos prometem realizar nos próximos dias nas montadoras e nas empresas de autopeças do País.
A categoria quer negociar com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) um piso salarial unificado de R$ 800,00, garantia de emprego e redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais. A Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) chegaram a marcar para hoje uma passeata na Via Dutra, mas o frio e a chuva espantaram os trabalhadores, obrigando os sindicalistas a cancelarem o movimento. "Os metalúrgicos preferiram ficar em casa a percorrer, debaixo de chuva, os oito quilômetros da fábrica até o centro de Resende", brincou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
Os presidentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos do ABC paulista, Luiz Marinho, e de Volta Redonda, Carlos Henrique Perrut, também estiveram presentes à manifestação. A estimativa é de que 65 caminhões deixaram de ser produzidos pela Volkswagen devido à greve da fábrica de Resende.
Pelo cronograma da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), as próximas fábricas a entrarem em greve são as da Fiat, em Betim, e da Mercedez, em Juiz de Fora. A paralisação no Estado de Minas Gerais está marcada para o dia 30 de setembro. O movimento segue para as montadoras e fábricas de autopeças em São Paulo no dia 7 de outubro, vai para o Paraná no dia 14, para Santa Catarina no dia 21 e termina no Rio Grande do Sul em 28 de outubro.
Após a onda de paralisações, os sindicatos voltam a se reunir para discutir o balanço do movimento. Se até lá não avançarem as negociações com a Anfavea, Paulinho afirmou que podem ser realizadas novas greves, desta vez, por prazos maiores do que apenas um dia.

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