Funcionários da UCP protestam contra invasões
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sábado, 01 de maio de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Porecatu - Funcionários da Usina Central de Porecatu (UCP) aproveitaram as comemorações anuais de primeiro de maio para protestar contra invasões em fazendas do grupo Atalla, proprietário da usina, por integrantes da Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag). A última ocupação, na Fazenda Marrecas, na divisa entre as cidades de Florestópolis e Porecatu (Norte), aconteceu em 18 de abril.
Apenas três centenas dos 2,5 mil empregados do grupo participaram da manifestação, que começou por volta das 9 horas, com tratores, caminhões e sete ônibus de trabalhadores rurais fechando a PR-170, na altura das duas entradas principais da cidade. Faixas foram colocadas estrategicamente no portal do município, apontando o roubo de gado e a destruição de terras produtivas com as ocupações, além da falta de emprego sem a colheita da safra de cana e a cobrança de ações por parte da polícia.
De acordo com João Batista Carnaval, contador do grupo Atalla, das 11 propriedades pertencentes à empresa no Norte do Paraná, oito foram invadidas pela Contag nos últimos dois anos e sete permanecem ocupadas pelos sem-terra. Todas já têm a reintegração de posse expedida pela Justiça, mas nenhuma foi cumprida.
Ainda segundo Carnaval, os funcionários decidiram manifestar-se contra a ação da Contag, ''pois os sem-terra estão expulsando as famílias de trabalhadores de suas casas, forçando-as a se mudarem para as cidades. Além disso, o comércio local está enfraquecido, pois sem colheita, não há emprego e sem dinheiro, não há consumo'', justificou.
Porta-voz do grupo Atalla, Alexandre Teixeira reiterou que as invasões impedem a contratação de novos funcionários para a colheita da cana, colocando 3 mil postos de trabalho em risco.
Em resumo, os sem-terra já queimaram 2,6 mil hectares de cana em sete fazendas, o equivalente 300 mil toneladas do produto que, por sua vez, equivale a 600 mil sacos de açúcar, ou R$ 36 milhões, e 9 milhões de litros de álcool, ou R$ 8 milhões.
''A Fazenda Itaverá, por exemplo, foi totalmente queimada, um total de 800 hectares de cana destruídos'', citou o contador João Carnaval, sobre a propriedade do grupo Atalla que fica em Alvorada do Sul (Norte). Ele recordou que na Fazenda Santa Rita, em Centenário do Sul (Norte), os sem-terra retiraram 160 cabeças de gado Guzerá registrado e levaram metade para a Fazenda Santa Lina, entre Porecatu e Centenário, e o restante foi morto e distribuído entre os assentamentos.
''Normalmente o grupo invade a fazenda, expulsa as famílias de empregados, fica no local um ou dois dias e depois deixa cerca de dez famílias de sem-terra para ocupar a propriedade, além de proibir o acesso à terra'', explicou Carnaval.
Relato - Antigo administrador da Fazenda Itaverá, Cícero Pedro dos Santos, 54 anos, não esquece o dia em que a Contag invadiu a propriedade pela primeira vez, expulsando 55 famílias de trabalhadores da UCP do local: 6 de dezembro de 2008. ''Eles chegaram muito brutos, em 50 ou 60 pessoas, e bateram primeiro na minha casa. Eles queriam derrubar tudo e o líder disse que tinha recebido ordem para me matar'', recordou Santos, que foi mantido refém com a esposa por mais de duas horas.
''Eles queimaram 1,6 mil hectares de cana da fazenda no ano passado e esse ano, não tem trabalhador da Usina lá. Todas as famílias mudaram para Alvorada e algumas, principalmente as que pagam aluguel, passam dificuldade'', completou o administrador.
''Só espero que a manigestação dê resultado, porque sem safra não tem emprego'', disse Santos, que sempre teve a recomendação dos patrões para não reagir em caso de invasão: ''Eles têm bronca dos administradores e fiscais da usina e quando fui refém, tive medo de morrer''.
Segundo o porta-voz Alexandre Teixeira, um novo protesto está marcado para daqui a 20 dias. Dessa vez, os trabalhadores irão fechar a ponte que liga o Paraná ao estado de São Paulo. No manifesto, o grupo Atalla afirmou que a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que as propriedades do grupo ainda estão em fase de análise pelo Instituto e que o Incra não autorizou a criação de nenhum assentamento nas fazendas localizadas nos municípios de Alvorada do Sul, Centenário do Sul e Porecatu.
Segundo Cláudio Fernandes, coordenador da Contag para a região norte do Paraná, as invasões são feitas sem violência e as áreas queimadas, relativas a velhas plantações de cana, são usadas para plantio de feijão pelos ocupantes. ''Se o protesto foi de trabalhadores, apoiamos. Não somos nós que vamos desempregar ninguém, mas sim a tecnologia e a lei que proíbe as queimadas''.


