Dois funcionários da Santa Casa Monsenhor Guilherme, de Foz do Iguaçu, passaram todo o dia de ontem em cima da caixa d'água do hospital, para protestar contra os atrasos de pagamentos e a decisão da irmandade provedora de fechar a instituição, anunciada na noite da última segunda-feira. Elda Jane dos Santos, de 40 anos, e Sérgio da Silva, de 42 anos, subiram na caixa d'água que fica a cerca de 40 metros do chão por volta das 6 horas e só desceram pouco antes das 18 horas. Bombeiros e policias militares cercaram a área etentaram dialogar com o casal, que se irritou e jogou no chão um aparelho de rádio que lhe foi entregue.
No meio da tarde, a situação era tensa nas proximidades da Santa Casa. Cerca de 40 funcionários do hospital que estão em greve desde o dia 16 de dezembro acompanhavam o protesto. ''Foi uma atitude isolada dos dois, que demonstra a situação de desespero que estamos enfrentando. Estamos todos muito apreensivos, porque não sabemos no que isto pode resultar. O sol está forte demais, eles podem passar mal lá em cima'', disse Alcides Borges de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Foz do Iguaçu e funcionário do hospital.
Segundo o tenente Damião dos Santos, do 14º Batalhão da Polícia Militar de Foz, os dois funcionários usavam toalhas molhadas sobre o corpo para minimizar os efeitos do sol. Assim que desistiram do protesto, eles foram encaminhados para um pronto-atendimento para avaliação médica. ''Eles prometeram fazer coisa pior, se não forem atendidos'', informou o tenente no final da tarde.
A Santa Casa Monsenhor Guilherme é o hospital mais antigo da cidade e enfrenta uma grave crise. A dívida é calculada em R$ 16 milhões. No início de 2005 o município liberou um aporte de R$ 3,8 milhões para o hospital, que não teria surtido efeito na melhoria do atendimento. No início da semana o prefeito anunciou que está descartada a intervenção na instituição. Ontem, ele reafirmou a decisão.
Os 360 funcionários estão com parte dos salários de outubro e novembro atrasados e não receberam 13º e férias. Além disso, parcelas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que não estariam sendo depositadas. Eles argumentam que o fechamento do hospital sem o pedido de falência é inconstitucional, e se revezam na ocupação do prédio. ''Só sairemos daqui junto com a irmandade'', afirmou anteontem o presidente do Sindicato, Antonio Marcos de Oliveira. Ontem a Folha tentou novamente contato com algum representante da irmandade, mas as ligações não foram atendidas.

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