Funcionários da Sabesp fazem protesto e anunciam greve
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 14 (AE) - Pelo menos 1.500 funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) - de acordo com o sindicato da categoria e metade desse número, na avaliação do governo do Estado - fizeram manifestação hoje de manhã, em frente do Palácio dos Bandeirantes.
Queriam que o governador Mário Covas reabrisse as negociações salariais e anunciaram greve para dia 21. Covas mandou dizer que deviam procurar o presidente da empresa.
Os manifestantes saíram em passeata. No meio do caminho, por telefone, conseguiram marcar uma reunião, para depois de amanhã, às 9 horas, com o presidente da Sabesp, Ariovaldo Carmignani.
"Desde maio tentamos negociar com a direção da empresa, sem sucesso", informou Elisabeth Tortolano, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento Básico e Meio Ambiente.
Segundo ela, em vez de discutir a proposta de reposição salarial, a empresa quer tirar benefícios dos empregados, como vale-refeição, cesta básica e creche, que haviam sido concedidos pelo Tribunal Regional do Trabalho. A Sabesp recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho, que atendeu ao pedido e suspendeu os benefícios.
O sindicato marcou para o dia 21 greve, por tempo indeterminado, dos empregados da Sabesp - que são 18 mil em 336 municípios. Eles querem reajuste de 4% e produtividade de 3,5%.
"A Sabesp é a a quinta maior empresa estatal do País e a mais lucrativa do Estado; fatura quase R$ 4 bilhões por ano", afirmou Elisabeth. "Não se justifica tirar vale-refeição de quem ganha R$ 235,00, caso da maioria dos funcionários." Durante a greve, será mantido plantão de emergência, como nos fins de semana. "Vamos manter o atendimento tanto na qualidade quanto na distribuição da água."
Obra - Sueli Maria Angrisani Silvério disse que sua casa e todo o bairro da Riviera Paulista, na zona sul, ficaram sem água desde a semana passada. "A Sabesp informou que mandaria carro-pipa e até hoje nada." Ela teve de comprar água.
De acordo com a Assessoria de Imprensa da Sabesp, o fornecimento de água foi interrompido para interligação da nova adutora na região de Capão Redondo e Capela do Socorro e a instalação de novos equipamentos. A água só voltou às torneiras no fim da tarde de hoje.
Segundo a Sabesp, a obra elevará a oferta de água de 1.300 litros por segundo para 1.800 l/s, em Capão Redondo, e de 3.000 para 4.100 litros por segundo para a região oeste, beneficiando principalmente Osasco e Carapicuíba.


