As demissões e afastamentos anunciados ontem pela Petrobras causaram revolta nos funcionários da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), que decidiram entrar em greve assim que receberam a notícia. Eles alegam que a decisão tomada pela comissão de sindicância interna – instalada para apurar as causas do vazamento do óleo do Rio Iguaçu – é ‘‘injusta’’ e ‘‘serve para punir apenas os mais fracos’’.
Até ontem à noite, haviam aderido à greve 40 pessoas que cumprem o turno das 15h30, mas o Sindicato dos Petroleiros do Paraná (Sindipetro) pretendia convencer os funcionários do turno das 12h30 a participarem da paralisação. Os outros 40 petroleiros que iniciaram as atividades antes do anúncio das demissões tiveram que fazer horas extras para que a refinaria continuasse funcionando.
O presidente do Sindipetro, Hélio Luiz Seidel, disse que a categoria vem sendo prejudicada com os constantes cortes de mão-de-obra na empresa. Segundo dados do sindicato, o quadro de funcionários se reduziu à metade de 1980 para cá. Hoje, 580 pessoas executam o trabalho que há 20 anos era feito por 1.200.
‘‘A causa do acidente não foi falha humana. Foi a falta de pessoal, que acaba sobrecarregando os funcionários. Há muitos anos estamos reivindicando isso’’, disse Seidel. A redução da mão-de-obra, segundo ele, é também a causa da falta de segurança dos petroleiros.
‘‘Nós trabalhamos em condições precárias’’, reclamou. De meados de 1998 até ontem, de acordo com Seidel, 60 pessoas morreram em acidentes de trabalho na Petrobras. Uma queda do helicóptero da empresa em Santa Catarina, ontem pela manhã, elevou o número para 66.
O tempo da paralisação será decidido hoje de manhã, durante uma assembléia entre os 586 funcionários da refinaria. A assessoria de imprensa da Repar informou que a superintendência da empresa, até ontem, não quis se manifestar sobre o protesto. (Colaborou Israel Reinstein)

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