Dili, Indonésia, 02 (AE-AP) - Seis funcionários da Missão de Ajuda da ONU em Timor Leste foram evacuados de uma cidade no território indonésio depois de receberem ameaças de milicianos contrários à independência, disse hoje (02) um porta-voz das Nações Unidas.
Com o aumento das tensões à frente do referendo que será supervisionado pela ONU, essa foi a terceira vez em uma semana que funcionários do corpo mundial são forçados a abandonar seus locais de trabalho em cidades do interior da ex-colônia portuguesa.
Segundo o porta-voz da ONU, Yasuhiro Ueki, os seis funcionários da cidade de Liquica (40 quilômetros a oeste de Dili) partiram ontem à noite para a capital.
Liquicia é uma fortaleza de simpatizantes de Jacarta e um local que assistiu várias atrocidades contra civis em meses recentes.
O referendo - marcado originalmente para ocorrer em 8 de agosto e adiado pela ONU em duas semanas por motivos de segurança e logística - dará a oportunidade aos timorenses de decidir entre autonomia e independência de sua terra. Timor Leste foi tomado pela violência desde que a Indonésia invadiu o território em 1975 e o anexou no ano seguinte.
Também hoje, um dia depois dos conflitos que deixaram dezenas de pessoas feridas, manifestantes voltaram a protestar em Jacarta, desta vez contra a violência policial.
Cerca de 300 manifestantes do Partido Democrático do Povo uniram-se aos estudantes na frente da sede da Comissão Eleitoral Geral da Indonésia.
Eles foram recebidos por cerca de 500 policiais, que apoiados com um canhão de água, formaram um cordão de isolamento na entrada principal do edifício.
Ontem, a polícia deu tiros de advertência e lançou bombas de gás lacrimogêneo contra cerca de 1.500 manifestantes que pediam a agilização da contagem dos votos das últimas eleições parlamentares, a desqualificação do Partido Golkar (governante) por fraude e o fim da interferência militar na política do país.

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