Os funcionários da administração executiva regional de Londrina da Fundação Nacional do Índio (Funai), parados desde a última terça-feira, reuniram-se ontem à tarde e ganharam o apoio dos inativos e pensionistas e adesão dos que trabalham nas seis reservas indígenas da região. Ao todo são 34 servidores, e apenas os que ocupam cargos de chefia (pensionistas) continuam trabalhando. Em Brasília o movimento começou no dia 2. No Paraná funcionários de todos os escritórios do Paraná estão paralisados.
Com a greve, ficam prejudicados projetos como os de educação e agricultura desenvolvidos nas reservas. ''As aulas estão suspensas, a colheita e preparação da terra prejudicadas, recursos como material escolar, insumos, cestas básicas e ajudas de custo para alunos bolsistas não estão sendo repassados. Nem o transporte de universitários pode ser feito'', explica o auxiliar-administrativo da Funai em Londrina Marcos Cezar da Silva Cavalheiro. Na área abrangida pela administração regional vivem aproximadamente 2,5 mil índios.
Segundo Cavalheiro, os servidores pedem a aprovação do plano de carreira indigenista; pagamento de progressão funcional (adicional por tempo de serviço); aumento de 100% no preço das diárias para os servidores que viajam a serviço da Fundação (hoje fixadas em R$ 57,28); paridade de salário entre ativos e inativos e reposição das perdas salariais. ''De acordo com cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), de 98 para cá as perdas chegam a 155%'', informa.
Cavalheiro esclarece ainda que os salários da maioria dos servidores da Fundação são compostos por gratificações, ''que a qualquer momento podem cair''. O temor, segundo ele, é que se o governo resolver retirar as gratificações, há salários que podem cair para cerca de 30% do valor atual. Cavalheiro informou ainda que o último reajuste, de 1%, foi há dois anos, e que a atual proposta do governo federal é de 0,1%.

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