São Paulo, 22 (AE) - Os 1,5 mil trabalhadores da Ford Ipiranga, em São Paulo, cruzaram os braços logo que souberam da intenção da montadora de fechar a fábrica, e assim permaneceram durante todo o dia, concentrados no pátio interno, à espera de informações. Amanhã (23), eles voltam ao local para nova assembléia de avaliação das negociações iniciadas pela empresa com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
Na sede da Força Sindical, em São Paulo, o clima era de indignação. Contrários à concessão de benefícios fiscais, no valor de R$ 180 milhões por ano, para que a Ford instale uma nova fábrica na Bahia, a central vai exigir do presidente Fernando Henrique Cardoso que a redução do IPI para os carros montados em território baiano tenha como contrapartida o compromisso de manutenção de todos os empregos em São Paulo. A reivindicação será transmitida ao presidente pelo deputado federal do PFL e ex-presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros.
As informações foram dadas pelo secretário geral do sindicato, Eleno José Bezerra. Segundo ele, a desativação da fábrica provocará o fechamento de 7,5 mil empregos diretos e indiretos no Estado de São Paulo. A instalação da Ford na Bahia criará apenas 5 mil empregos, também diretos e indiretos, segundo Bezerra. "Não podemos permitir que o governo injete dinheiro público para financiar o desemprego", afirmou.
O deputado Medeiros, ex-metalúrgico de São Paulo, antes mesmo de conseguir marcar a audiência com o presidente da República, adiantou que ficará ao lado dos trabalhadores na luta pela manutenção da fábrica no Ipiranga, "contra quem quer que seja", no caso, seu colega de partido, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que lutou por subsídios para a montadora ir para a Bahia. "Tenho todo o respeito ao ACM, mas acima do partido, fico com os meus eleitores." Para ele, o anúncio da fábrica da Bahia tem tudo a ver com o fechamento da unidade paulistana.
O governador Mário Covas informou ter conhecimento de uma tranferência da produção de caminhões do Ipiranga para a fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC. Essa informação apenas piorou o quadro, já que veio acompanhada de outra versão, também revelada por Covas: a de que a fábrica do ABC muito provavelmente deixará de produzir automóveis. Ou seja, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, teria de trocar 6 mil empregos atuais por apenas 1,5 mil, necessários na montagem de caminhões. A reação foi imedita. Assim como Medeiros, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Grana, informou que irá a Brasília reinvindicar que uma cláusula do contrato, a ser assinado entre a Ford e o BNDES para instalação da nova unidade na Bahia, tenha a garantia de manutenção dos empregos no País.

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